Na cidade portuária de Durban, na província de KwaZulu-Natal, até 7.000 estrangeiros, na sua maioria malawianos, reuniram-se num campo aberto após fugirem de áreas residenciais onde alegam ter sofrido intimidações e violência.
Entre os relatos, surgem acusações de agressões com machetes e chicotes, bem como ameaças diretas para que abandonem o país antes do prazo estabelecido.
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Uma mulher malawiana de 36 anos descreveu momentos de terror ao fugir com os seus filhos, afirmando que o seu marido foi gravemente ferido durante um ataque.
“Disseram-nos para sair do país. Não querem estrangeiros aqui”, relatou, acrescentando que grupos de homens armados teriam invadido habitações na zona.
As manifestações e protestos contra migrantes têm sido liderados por grupos como March and March, além de partidos políticos locais, que defendem a aplicação rigorosa das leis de imigração e a expulsão de estrangeiros em situação irregular.
Os manifestantes entoam slogans como “Mabahambe”, expressão em zulu que significa “eles devem ir embora”.
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O Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa alertou que a culpabilização de migrantes não resolve os problemas económicos do país, que enfrenta uma taxa de desemprego superior a 32%.
Segundo o governo, mais de 40.000 imigrantes ilegais já terão sido detidos em operações recentes de fiscalização.
Apesar da pressão crescente, vários governos africanos, incluindo Moçambique, Malawi, Gana, Nigéria e Zimbabué, estão a organizar repatriamentos voluntários por via aérea e terrestre.
Cerca de 3.500 estrangeiros já terão optado por regressar aos seus países de origem nas últimas semanas.
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Em alguns casos, até migrantes com documentação válida relatam estar a ser alvo de intimidação e discriminação, alimentando o receio de uma nova vaga de violência xenófoba no país.
A tensão atual lembra episódios de violência xenófoba registados em anos anteriores, que resultaram em mortes e deslocações em massa de estrangeiros em várias cidades sul-africanas.
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Especialistas alertam que a combinação entre desemprego elevado, desigualdade económica e desinformação política pode estar a alimentar o aumento da hostilidade contra migrantes.
Organizações de direitos humanos defendem que muitos migrantes continuam a contribuir para setores essenciais como serviços domésticos, segurança e pequenas atividades comerciais.
Apesar das promessas do governo de reforçar a ordem pública e a legalidade migratória, o ambiente em várias regiões do país permanece instável à medida que o prazo de 30 de junho se aproxima.






