Um grupo de supostos rebeldes atacou a aldeia de Meza, no distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, destruindo completamente a paróquia de São Luís de Monfort e várias infraestruturas associadas. O ataque ocorreu na tarde de quinta-feira, com os insurgentes a permanecerem na zona durante várias horas, sem resistência visível das forças de segurança.
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Anuncie aqui!Segundo o bispo António Juliasse, os atacantes incendiaram casas, maioritariamente de comunidades cristãs, antes de avançarem para a missão religiosa. A igreja, a residência dos padres, a secretaria paroquial e uma escola foram totalmente destruídas. O hospital local também foi vandalizado, num episódio descrito como de violência extrema.
A paróquia ficou reduzida a escombros. O ataque incluiu ainda a profanação de objetos e espaços sagrados, agravando o impacto simbólico sobre a comunidade. Apesar da dimensão da destruição, não há registo de mortos ou feridos imediatos.
Pelo menos 22 pessoas foram raptadas, sendo forçadas a participar na destruição antes de serem levadas pelos atacantes. Testemunhos indicam que os insurgentes reuniram civis para difundir mensagens de ódio religioso, intensificando o clima de medo na região.
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O ataque já era antecipado por moradores, após incursões em zonas próximas dias antes. Ainda assim, não houve intervenção das autoridades. A população denuncia falta de proteção, num contexto de quase nove anos de conflito armado na província.
Dados da igreja apontam para pelo menos 300 católicos mortos desde 2017, muitos por decapitação, e mais de 117 infraestruturas religiosas destruídas. Localidades como Mocímboa da Praia e Nangololo já registaram destruição total de igrejas históricas.
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Anuncie aqui!A paróquia de São Luís de Monfort, construída em 1946, era um dos principais símbolos da presença católica na região. A sua destruição representa mais uma perda patrimonial num território marcado por ataques recorrentes.
Segundo a ACLED, a província registou 11 incidentes violentos nas últimas duas semanas, a maioria atribuída a grupos ligados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM). Desde o início da insurgência, em outubro de 2017, o número total de mortos ultrapassa 6.500.
A persistência dos ataques e a capacidade de mobilização dos grupos armados continuam a expor fragilidades no controlo territorial. Em várias zonas, a população permanece deslocada, com acesso limitado a apoio e segurança.
O episódio em Ancuabe reforça o padrão de ataques direcionados contra infraestruturas civis e religiosas, num conflito que continua a expandir-se e a afetar diretamente comunidades vulneráveis.






