O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, chegou ao Eswatini no sábado, dias após ter sido forçado a adiar a viagem devido à retirada de autorizações de sobrevoo por vários países. Segundo autoridades taiwanesas, decisões atribuídas à pressão chinesa impediram inicialmente o deslocamento.
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Anuncie aqui!Numa publicação na rede X, Lai Ching-te afirmou que a visita visa reforçar a “amizade de longa data” entre Taiwan e o Eswatini, o único aliado diplomático de Taipé no continente africano. O líder sublinhou que Taiwan “nunca será dissuadido por pressões externas”.
A viagem estava inicialmente prevista para 22 de abril, mas foi adiada após países como Seychelles, Maurícia e Madagáscar revogarem permissões de voo. Taipé denunciou coerção económica por parte de Pequim como principal motivo da decisão.
Num comunicado posterior, o presidente indicou que a deslocação foi possível graças a “cuidadosos preparativos” das equipas diplomáticas e de segurança. O objetivo é aprofundar relações em áreas como economia, agricultura, cultura e educação.
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Anuncie aqui!A visita não foi anunciada previamente, tendo sido revelada apenas após a chegada de Lai Ching-te ao território, uma medida descrita como precaução face ao contexto sensível.
A reação da China foi imediata. O Ministério dos Negócios Estrangeiros classificou a visita como uma “encenação ridícula”, acusando o líder taiwanês de promover o separatismo. Pequim reiterou que Taiwan faz parte do seu território e apelou ao Eswatini para rever a sua posição diplomática.
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Anuncie aqui!O governo taiwanês respondeu afirmando que a visita foi conduzida em conformidade com o direito internacional e práticas diplomáticas. Taipé defende o seu estatuto como entidade autónoma e o direito de manter relações com outros países.
A deslocação ocorre num contexto de crescente pressão de Pequim, que procura isolar Taiwan diplomaticamente e não exclui o uso da força para assumir controlo da ilha. O Eswatini permanece como o único país africano a reconhecer oficialmente Taiwan.
Em 2023, a então presidente Tsai Ing-wen tinha sido a última líder taiwanesa a visitar o país africano. As relações entre ambos têm implicações económicas, incluindo restrições comerciais impostas por Pequim ao Eswatini.
Paralelamente, aumentam as tensões entre Estados Unidos e China. O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou recentemente que Taiwan representa o “maior risco” nas relações com Washington, durante uma conversa com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
A visita de Lai Ching-te reforça a dimensão geopolítica da disputa, evidenciando o papel estratégico de África nas rivalidades diplomáticas contemporâneas.







