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Canal do Panamá registra aumento de trânsito à medida que guerra no Oriente Médio eleva preços do combustível

Com rotas tradicionais bloqueadas e fretes em alta, navios recorrem ao Canal do Panamá como alternativa mais curta entre Atlântico e Pacífico.

Cidade do Panamá, 13 de março de 2026 – Com os preços do combustível e do frete disparando devido à guerra que estrangula o Estreito de Ormuz, o Canal do Panamá tem registrado mais negócios do que o habitual. O canal, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico em um ponto estreito entre a América do Norte e do Sul, está recebendo um “aumento ligeiro” no número de navios, afirmou a vice-administradora do canal, Ilya Espino de Marotta.

O que temos visto recentemente é um aumento — um ligeiro aumento no número de travessias”, disse Espino de Marotta à CNN. “Devemos lembrar que, com os preços mais altos de combustível, o Canal do Panamá se torna uma rota definitivamente mais atraente, por ser mais curta.”

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Com aproximadamente 80 km de extensão, o Canal do Panamá é menos da metade do comprimento do Canal de Suez, no Egito, que possui cerca de 193 km. A vice-administradora destacou ainda que, graças a uma estação seca excepcionalmente úmida neste ano, o canal conseguiu realizar 40 a 41 travessias diárias, comparadas às 36 habituais.

Esse aumento é particularmente notável considerando a seca extrema que afetou o Panamá durante os fenômenos de El Niño em 2023 e 2024, que reduziu o nível do Lago Gatun, responsável pelo abastecimento de água do canal, e cortou as travessias diárias de 36 para 24.

Quarenta e uma ou 42 travessias não são sustentáveis a longo prazo, mas podemos manter cerca de 38 de forma consistente, atendendo assim às necessidades da indústria”, afirmou Espino de Marotta.

Quando questionada sobre a origem dos novos clientes do canal, ela disse não ter dados precisos. “Obviamente, eles estão nos usando como uma rota alternativa àquela que utilizavam antes”, acrescentou.

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Embora o Oriente Médio seja sinônimo de petróleo, o gás natural liquefeito (GNL) representa uma grande parcela do combustível que normalmente passa pelo Estreito de Ormuz. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, cerca de 20% do comércio mundial de GNL transita por essa via.

Com a guerra restringindo o tráfego, as taxas de frete para o GNL americano quadruplicaram, e o mercado asiático tornou-se um novo ponto de interesse, com países do continente em busca de novas fontes de energia. Cerca de 80% do combustível da Ásia passa pelo estreito, e pelo menos quatro cargas de GNL dos EUA foram desviadas para a Ásia desde o início do conflito, antes previstas para a Europa.

Espino de Marotta confirmou que o Canal do Panamá poderia receber parte desse comércio, embora ressalte que, diante da situação da Rússia com a Europa, “é mais rentável para os Estados Unidos enviar GNL da Costa Leste para a Europa”.

Apesar disso, a administradora se mostrou confiante. “Enquanto a guerra continua e o Estreito de Ormuz permanece severamente restrito, o Canal do Panamá está preparado para receber mais combustível do mundo”, concluiu.