Pelo menos 11 pessoas perderam a vida nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Zambézia, na sequência de uma onda de desinformação associada a alegadas práticas de magia negra. Os óbitos foram registados desde meados de abril, num contexto marcado pela rápida propagação de boatos que têm alimentado o medo e desencadeado episódios de violência extrema. As autoridades alertam para a gravidade da situação, que já resultou também em dezenas de feridos e detenções.
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Anuncie aqui!Na origem deste fenómeno estão superstições difundidas desde 18 de abril, inicialmente em Cabo Delgado, que rapidamente se espalharam para outras regiões e pelas redes sociais. Os rumores alegam que um simples toque poderia provocar o encolhimento ou desaparecimento de órgãos genitais, sobretudo masculinos. Esta narrativa, sem qualquer base científica, desencadeou um clima de pânico coletivo que rapidamente saiu do controlo.
Em Nampula, os boatos resultaram em dois mortos e oito feridos, vítimas de agressões físicas em pelo menos 16 casos registados em poucos dias. Os incidentes ocorreram nos distritos de Eráti e Monapo, onde várias pessoas foram acusadas de prática de magia negra. Segundo a polícia, as vítimas foram violentamente agredidas e queimadas, num cenário que evidencia a brutalidade dos ataques motivados pelo medo.
As autoridades confirmaram a detenção de 24 pessoas em Nampula, acusadas de disseminação de desinformação e incitamento à desordem. Há também indicações de envolvimento de menores, alegadamente manipulados para amplificar o pânico. O fenómeno levanta preocupações profundas sobre a vulnerabilidade social e a rapidez com que rumores podem transformar-se em violência.
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Anuncie aqui!Em Cabo Delgado, a situação revela-se ainda mais crítica, com cinco mortos e pelo menos 20 feridos em diferentes distritos. O comandante provincial da polícia descreveu o momento como um período de “terror”, apelando à colaboração da população para conter a escalada de violência e restaurar a ordem.
Na Zambézia, quatro pessoas foram linchadas e carbonizadas, após a disseminação dos mesmos rumores. Os acontecimentos ocorreram em Macuse, onde o pânico levou a população a agir de forma descontrolada. Este episódio ilustra como a desinformação pode rapidamente degenerar em tragédia, sobretudo em contextos de forte crença em fenómenos sobrenaturais.
As autoridades de saúde vieram esclarecer que não existe qualquer evidência médica que comprove as alegações de encolhimento de órgãos genitais, classificando o fenómeno como pânico social coletivo. Para responder à crise, foi criado um grupo técnico que reúne médicos, psiquiatras e psicólogos, com o objetivo de avaliar os casos e prestar apoio às vítimas.
Segundo especialistas, os pacientes observados não apresentaram qualquer alteração física, mas sim sintomas associados ao medo e à ansiedade. Após acompanhamento psicológico, muitos regressaram ao seu estado normal, reforçando a ideia de que se trata de um fenómeno essencialmente psicossocial.
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Anuncie aqui!A Polícia da República de Moçambique reforça o apelo à população para denunciar os responsáveis pela propagação de rumores, alertando que a situação pode agravar-se e comprometer serviços essenciais. As autoridades garantem estar em prontidão e prometem agir com firmeza contra a desinformação e a violência, sublinhando que vidas inocentes continuam em risco.





