No El Salvador, as autoridades abriram um processo judicial de grande escala contra 486 alegados membros da gangue MS-13 (Mara Salvatrucha), acusados de dezenas de milhares de crimes cometidos ao longo de uma década. As imagens divulgadas pelo governo, mostrando os detidos de cabeça rapada, vestidos de branco e algemados, tornaram-se símbolo da política de segurança do presidente Nayib Bukele.
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Anuncie aqui!Segundo a acusação, os réus são responsáveis por cerca de 47 000 crimes, incluindo homicídios, extorsões, tráfico de droga e armas, bem como casos de violência extrema como feminicídios. O processo é considerado o maior já realizado contra a liderança de uma organização criminosa no país.
Desde a implementação do estado de exceção em 2022, o governo salvadorenho afirma ter prendido cerca de 91 000 pessoas, numa campanha massiva contra as gangues. O país apresenta atualmente um dos níveis de encarceramento mais altos do mundo, com cerca de 1 650 presos por 100 000 habitantes.
sados está detida no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), uma prisão de alta segurança situada em Tecoluca. As audiências decorrem por videoconferência, devido ao número elevado de réus envolvidos no processo.
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Anuncie aqui!O governo enquadra esta estratégia como uma “guerra contra as gangues”, que teria permitido uma redução drástica da violência. O número de homicídios caiu de mais de 100 por 100 000 habitantes há uma década para cerca de 1,3 em 2025, segundo dados oficiais.
Organizações de direitos humanos criticam duramente estas medidas. O estado de exceção suspendeu várias garantias fundamentais, incluindo o direito imediato a advogado e a informação sobre a detenção. ONG’s denunciam também prisões arbitrárias e mortes em detenção.
De acordo com a Human Rights Watch, os julgamentos em massa apresentam riscos elevados de condenações injustas devido à falta de garantias processuais adequadas. A organização alerta ainda para o enfraquecimento da separação de poderes no país.
Apesar das críticas, Nayib Bukele mantém níveis muito elevados de popularidade, impulsionados pela melhoria da segurança pública. O governo afirma ter recuperado o controlo de áreas antes dominadas por gangues e reduzido significativamente a criminalidade.
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Anuncie aqui!Esta política tem despertado interesse noutros países da América Latina, onde alguns líderes já mencionam o chamado “modelo Bukele” como referência no combate ao crime organizado.
Para analistas, o país vive uma fase de transformação profunda, marcada por ganhos em segurança, mas também por uma concentração de poder no executivo e uma redução dos mecanismos de controlo institucional.





