A presença da IUCN Moçambique na edição 2026 da Feira Internacional de Maputo (FACIM) centrou-se em demonstrar que a conservação da biodiversidade não é um entrave ao desenvolvimento, mas antes uma oportunidade para diversificar a economia. No pavilhão, a organização expôs abordagens e plataformas que articulam proteção ambiental com geração de rendimento, visando empresas, comunidades locais e decisores públicos. A iniciativa ganhou destaque num contexto em que Moçambique procura ampliar investimentos e criar empregos sem comprometer os recursos naturais dos quais depende grande parte da sua população.
O espaço da IUCN na feira funcionou como ponto de encontro para troca de ideias entre actores privados, organizações da sociedade civil e visitantes interessados em modelos sustentáveis de negócio. Mais do que materiais informativos, a delegação promoveu diálogo sobre investimentos verdes, turismo sustentável e práticas que favorecem a recuperação de ecossistemas, sublinhando o papel das parcerias multidisciplinares. Essa abordagem procura transformar conceitos técnicos de conservação em oportunidades concretas de mercado e inclusão social, com foco em cadeias de valor que beneficiem comunidades rurais e costeiras.
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Anuncie aqui!Os projectos e propostas apresentados em Maputo insistiram numa mensagem central: a natureza fornece serviços essenciais que podem ser capitalizados de forma durável, mas exigem governança clara e mecanismos financeiros adequados. Na prática, isso envolve arranjos que garantam propriedade e benefícios para comunidades locais, normas que orientem práticas empresariais e instrumentos financeiros que apoiem a transição para actividades de baixo impacto. Especialistas da IUCN têm defendido que, sem estes elementos, iniciativas isoladas dificilmente escalam ou geram impactos socioeconómicos sustentáveis ao longo do tempo.
A participação na FACIM serviu também para mostrar casos de cooperação entre actores do sector privado e organizações ambientais, onde o foco é valorizar recursos naturais de forma responsável. Exemplos genéricos apresentados incluíram cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros, iniciativas de turismo de natureza com participação comunitária e práticas agrícolas que conservam solo e água. Essas alternativas foram colocadas na perspectiva de políticas públicas e investimentos que incentivem boas práticas, reduzam riscos e criem condições para que pequenos produtores acedam a mercados mais remuneradores.

Para que este tipo de iniciativas tenha impacto real em Moçambique, a discussão em Maputo enfatizou a necessidade de mecanismos financeiros inovadores, incluindo fundos comuns, incentivos fiscais e parcerias de investimento que considerem serviços ecossistémicos. Investidores e gestores públicos foram convidados a olhar para projectos que, além de retorno económico, incorporam benefícios sociais mensuráveis — por exemplo, geração de emprego local, segurança alimentar e resiliência climática. A transição para uma economia que depende menos de exploração predatória e mais de usos sustentáveis requer não só vontade política, mas também capacidades técnicas e claras métricas de desempenho.
Outro tema recorrente na feira foi a valorização do conhecimento local e dos direitos das comunidades na gestão dos recursos naturais. A IUCN defende modelos em que comunidades detêm voz e benefícios, participando activamente de planos de gestão e acções de restauração. Essa perspectiva procura contrariar abordagens centralizadas que frequentemente marginalizam quem mais depende do ambiente para viver. Na prática, isso implica investir em formação, sistemas de monitoria participativa e estruturas legais que reconheçam e protejam direitos tradicionais.
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Anuncie aqui!A convergência entre conservação e comércio apresentada em FACIM incluiu também a promoção de certificações e padrões que tornem produtos sustentáveis mais competitivos no mercado nacional e internacional. Certificação, rastreabilidade e cadeias de custódia foram apontadas como ferramentas cruciais para agregar valor e garantir que benefícios chegam às populações locais. Ao mesmo tempo, ficou claro que a adopção de padrões exige apoio técnico e financiamento inicial, sobretudo para pequenos produtores que procuram entrar em mercados exigentes.
Do ponto de vista do desenvolvimento regional, as propostas expostas na feira destacaram o potencial de cadeias de valor ligadas a ecossistemas costeiros, florestais e agrícolas para dinamizar economias provinciais. A diversificação económica, através de actividades que preservem solos, águas e biodiversidade, pode reduzir vulnerabilidades associadas a choques climáticos e flutuações de preços de commodities. Para que essa transformação aconteça, são necessárias políticas integradas que alinhem incentivos, planeamento territorial e mecanismos de monitoria ambiental.

A IUCN aproveitou o ambiente da feira para sublinhar que parcerias não se limitam ao binómio público‑privado: organizações comunitárias, académicos e investidores de impacto têm papéis complementares. Em muitos casos, projectos bem-sucedidos combinam investigação científica, tecnologia apropriada e estruturas de governação local que asseguram partilha de benefícios. A transferência de conhecimento e a adaptação de soluções internacionais à realidade moçambicana foram apresentados como elementos-chave para escalar práticas promissoras em distintas províncias do país.
A discussão em Maputo também abordou desafios práticos, como a necessidade de dados ambientais robustos, acessíveis e fiáveis para orientar investimentos e políticas. Sistemas de informação territorial, monitoria de habitats e indicadores socioeconómicos são imprescindíveis para medir impactos e ajustar intervenções. Sem essa base de evidência, projectos podem falhar em demonstrar resultados ou em garantir que os benefícios realmente cheguem às populações mais vulneráveis, limitando assim a atracção de novos parceiros financeiros.
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Anuncie aqui!Em síntese, a participação da IUCN na FACIM 2026 reforçou uma narrativa que ganha cada vez mais espaço: conservação e desenvolvimento podem caminhar juntos quando estruturados por parcerias claras e instrumentos adequados. A feira proporcionou um palco para sensibilizar empresários e decisores sobre oportunidades práticas — desde novos mercados para produtos sustentáveis até modelos de turismo que valorizem património natural. Essa mensagem é particularmente pertinente para Moçambique, onde a gestão inteligente dos recursos naturais é determinante para o futuro económico do país e para a qualidade de vida das suas comunidades.
As próximas etapas apontadas nas conversas em Maputo passam por elevar iniciativas-piloto a programas de maior escala, envolvendo coordenação intersectorial e enquadramentos financeiros apropriados. Para tal, a criação de incentivos regulatórios, instrumentos de financiamento acessíveis e programas de capacitação técnica serão cruciais. Se alinhadas, estas peças podem converter a rica biodiversidade do país numa base sólida para uma economia mais resiliente, inclusiva e ambientalmente responsável.

A presença da IUCN na feira funciona assim como catalisador de conversas e de redes de colaboração que transcendem um evento anual; o desafio é transformar o interesse em compromissos concretos e mensuráveis. O sucesso dependerá da capacidade de actores públicos e privados em conceber instrumentos que assegurem retorno económico sem sacrificar serviços ambientais cruciais. Ao promover modelos replicáveis e parcerias inclusivas, a iniciativa abre caminho para que Moçambique concilie crescimento económico com conservação a longo prazo.
Photo 4: Aerial view of a mangrove forest along the Mozambique coastline, illustrating the natural assets that underpin coastal livelihoods and climate resilience.
Por fim, a presença da IUCN em FACIM 2026 reforça que o diálogo entre conservação e economia já não é uma alternativa, mas uma necessidade para países que dependem fortemente dos seus recursos naturais. Transformar essa convergência em política pública e em oportunidades de mercado exigirá persistência, recursos e, sobretudo, vontade política para integrar a natureza como activo central do desenvolvimento. Se bem gerido, esse caminho poderá trazer benefícios económicos tangíveis, maior resiliência climática e melhores perspectivas para as comunidades que vivem em estreita ligação com a natureza.


