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Irão volta a fechar o Estreito de Ormuz e eleva tensão com os Estados Unidos

Após breve reabertura, Teerão endurece posição e condiciona trânsito marítimo ao fim do bloqueio norte-americano, enquanto negociações seguem sem acordo definitivo.

O Estreito de Ormuz foi novamente encerrado pelo Irão este sábado, apenas um dia depois de uma reabertura parcial que tinha sido interpretada como sinal de desescalada. A decisão marca um novo endurecimento numa crise que continua a oscilar entre gestos diplomáticos e demonstrações de força.

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As autoridades iranianas indicaram que a via marítima permanecerá fechada enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio aos portos iranianos. Em Washington, Donald Trump reagiu de imediato, classificando a medida como uma tentativa de “chantagem”, embora tenha afirmado que continuam a decorrer “conversas muito positivas” com vista a um acordo mais duradouro.

A decisão surge num momento delicado. Um cessar-fogo de duas semanas entre Teerão e Washington, em vigor desde 8 de abril, aproxima-se do fim, sem que tenha sido alcançado um entendimento global. A breve abertura do estreito, que permitiu a passagem limitada de navios comerciais, foi rapidamente revertida.

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O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reconheceu que houve progressos nas negociações recentes, mas admitiu que as partes continuam “longe” de um acordo final. Ao mesmo tempo, o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano garantiu que não fará concessões consideradas fundamentais.

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No terreno, a tensão mantém-se elevada. Durante a curta reabertura, alguns navios conseguiram atravessar o estreito, enquanto outros relataram tiros de advertência e ameaças por parte das forças iranianas. Os Guardas da Revolução advertiram que qualquer embarcação que se aproxime poderá ser considerada alvo.

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O impacto económico é imediato. Por este corredor marítimo transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, tornando qualquer interrupção um fator de instabilidade global. A reabertura temporária tinha provocado uma queda nos preços do petróleo, rapidamente contrariada pela nova decisão de Teerão.

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Nos bastidores, os esforços diplomáticos intensificam-se. O Egito e o Paquistão tentam mediar um acordo entre as partes, após negociações diretas realizadas em Islamabad nos dias 11 e 12 de abril terem falhado.

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Em paralelo, surgem sinais limitados de normalização. O Irão anunciou a reabertura parcial do seu espaço aéreo e de aeroportos em Teerão, encerrados desde os bombardeamentos no final de fevereiro.

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Mas o conflito estende-se para além do Golfo. No Líbano, onde vigora uma trégua frágil entre Israel e o Hezbollah, um ataque contra forças internacionais matou um soldado francês e feriu outros três. O incidente foi condenado pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, que apelou ao respeito pelo cessar-fogo.

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No sul do país, milhares de deslocados começam a regressar a zonas devastadas, mesmo com receio de uma nova escalada. Muitos temem perder os abrigos temporários caso a guerra recomece, num cenário ainda marcado pela incerteza.

A sucessão de decisões contraditórias — abertura, seguida de novo bloqueio — ilustra a volatilidade da crise. Enquanto as negociações prosseguem, o Estreito de Ormuz permanece no centro de uma disputa que ultrapassa a região e influencia diretamente o equilíbrio energético global.

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