Segundo o comunicado divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia, os modelos climáticos globais apontam para um cenário de forte probabilidade de formação do fenómeno, caracterizado pelo aquecimento anómalo das águas do Oceano Pacífico, que influencia os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo.
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Anuncie aqui!O Inam explica que, historicamente, os efeitos do El Niño em Moçambique variam de região para região. Nas zonas Sul e Centro, o fenómeno está geralmente associado a chuvas irregulares e abaixo da média, além de temperaturas superiores ao normal climatológico.
Já na região Norte do país, as projeções indicam risco elevado de chuvas acima da média e precipitação mais regular. As autoridades alertam que estas alterações climáticas podem afetar diretamente setores sociais, económicos e ambientais, incluindo agricultura, abastecimento de água, saúde pública e infraestruturas.
O fenómeno deverá coincidir com o início da época chuvosa 2026/2027, período particularmente sensível para um país frequentemente afetado por desastres naturais extremos. O Inam sublinha que continuará a monitorizar a evolução das projeções climáticas para apoiar decisões estratégicas e medidas preventivas.
“O acompanhamento atempado é crucial para assegurar uma planificação sectorial estratégica e tomada de decisão”, refere o comunicado do Instituto Nacional de Meteorologia.
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Anuncie aqui!Mozambique é considerado um dos países africanos mais vulneráveis às alterações climáticas, enfrentando regularmente cheias, secas e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre normalmente entre outubro e abril.
Dados atualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres indicam que o número de mortos na atual época chuvosa subiu para 289, enquanto mais de um milhão de pessoas já foram afetadas desde outubro passado.
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Anuncie aqui!Segundo o balanço mais recente, as chuvas afetaram cerca de 1.004.346 pessoas, correspondentes a mais de 229 mil famílias. Foram ainda registados 15 desaparecidos e 349 feridos em diferentes províncias do país.
As cheias ocorridas em janeiro provocaram pelo menos 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando mais de 715 mil pessoas em várias regiões. Já o ciclone Cyclone Gezani, que atingiu a província de Inhambane em fevereiro, causou quatro mortes e afetou mais de nove mil pessoas.
Especialistas alertam que a possível combinação entre os efeitos do El Niño e a vulnerabilidade estrutural do país poderá aumentar os riscos humanitários e económicos nos próximos meses, sobretudo em comunidades já afetadas por eventos climáticos extremos recentes.
As autoridades moçambicanas reforçam agora os apelos à preparação antecipada, monitorização contínua e implementação de medidas de mitigação para reduzir o impacto de futuros fenómenos climáticos extremos sobre a população.







