A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) registou em 2025 um resultado líquido de 112 milhões de dólares, apesar de uma queda de 30% na produção de eletricidade devido à seca severa na bacia do Zambeze. Os dados foram aprovados por unanimidade em assembleia-geral realizada a 30 de abril, segundo informação enviada à Lusa.
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Anuncie aqui!A produção anual situou-se em 10.921 GWh, refletindo o impacto direto da redução dos níveis de água na albufeira. Ainda assim, a empresa assegurou o fornecimento de energia ao mercado nacional e regional, mantendo compromissos com EDM, Eskom, ZESA e SAPP.
A HCB destacou que operou num contexto marcado por uma das secas mais severas das últimas décadas, o que condicionou o armazenamento de água e obrigou a ajustes no plano de produção. Mesmo assim, conseguiu preservar a estabilidade operacional e cumprir contratos energéticos essenciais.
A principal fonte de rentabilidade da empresa em 2025 foi a exportação de eletricidade, que continuou a gerar divisas importantes. Segundo o presidente do conselho de administração, Tomás Matola, esta atividade contribuiu para a robustez da balança de pagamentos de Moçambique.
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Anuncie aqui!As receitas atingiram cerca de 344 milhões de dólares, refletindo uma gestão considerada prudente dos recursos hídricos e financeiros. A empresa manteve ainda pagamentos significativos ao Estado, totalizando cerca de 300 milhões de dólares em impostos, taxas e dividendos.
A estrutura acionista da HCB inclui a estatal Companhia Elétrica do Zambeze (85%), a portuguesa REN (7,5%), ações próprias (3,5%) e participações moçambicanas minoritárias. A empresa emprega cerca de 800 trabalhadores e é uma das principais produtoras de energia da região austral africana.
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Anuncie aqui!A albufeira de Cahora Bassa, a quarta maior de África, continua a desempenhar um papel estratégico no abastecimento energético regional. Apesar das limitações hidrológicas, a empresa conseguiu manter níveis operacionais que garantiram continuidade de fornecimento.
Em paralelo, a HCB avançou com projetos de modernização, incluindo a reabilitação da Central Sul e da subestação conversora do Songo. Também decorrem projetos de expansão como a Central Norte e uma central fotovoltaica, destinados a diversificar a matriz energética.
Os níveis de armazenamento de água, que chegaram a 26,01%, recuperaram para 27,23% no final de 2025, acima do registado no ano anterior. Para 2026, as perspetivas apontam para uma melhoria, com reservas atualmente próximas de 56%, permitindo maior capacidade de produção.
A empresa destaca que os resultados de 2025 demonstram a sua resiliência operacional num contexto adverso, reforçando o papel da HCB como ativo estratégico para a economia moçambicana e para a estabilidade energética regional.






