As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) admitem a possibilidade de rever o preço dos bilhetes nas próximas semanas, caso se confirme uma subida dos combustíveis no mercado internacional, numa consequência direta da escalada de tensões no Médio Oriente. A empresa pública assegura, contudo, que existe combustível disponível para abastecer a frota durante os próximos 30 dias, afastando, para já, o risco de interrupções operacionais.
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Anuncie aqui!“Se houver aumento dos preços dos combustíveis, certamente que a LAM será obrigada a rever os seus bilhetes”, afirmou Agostinho Langa, representante dos acionistas da companhia, sublinhando que esta eventual decisão não será isolada, mas antes parte de uma tendência global no setor da aviação. Apesar da incerteza, garantiu que todas as rotas e escalas serão mantidas, assegurando a continuidade do serviço “em condições normais”.
O cenário energético em Moçambique, porém, revela sinais de crescente tensão. Nos últimos dias, Maputo tem sido palco de longas filas nos postos de abastecimento, muitos dos quais encerrados ou sob vigilância policial. Embora se registem ligeiras melhorias na disponibilidade de gasolina e gasóleo, a situação continua volátil e já se estende a outras províncias.
O Governo moçambicano insiste que não há uma crise estrutural de combustíveis, atribuindo os constrangimentos a uma combinação de fatores: procura excessiva, dificuldades de liquidez por parte dos distribuidores e indícios de retenção deliberada de produtos. Segundo o Executivo, muitos operadores enfrentam obstáculos na obtenção de garantias bancárias, essenciais para a importação de combustíveis nos portos.
“Há combustível no país, mas pode não estar a chegar aos postos”, reconhece o Governo, que aponta também para comportamentos de pânico entre os consumidores, com aquisição de quantidades anormais por receio de escassez. Em resposta, algumas estações de serviço passaram a impor limites de abastecimento por veículo, numa medida não diretamente imposta pelas autoridades.
Num esforço para estabilizar o mercado, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia aprovou medidas excecionais para garantir o abastecimento, incluindo a aceleração do reabastecimento dos postos e a proibição temporária da reexportação de combustível. Paralelamente, decorrem inspeções para identificar práticas irregulares, com o Governo a prometer sanções para empresas envolvidas em açambarcamento.
A crise atual insere-se num contexto internacional particularmente sensível. O recente agravamento do conflito no Médio Oriente, com impactos diretos no Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial —, elevou os preços globais da energia e acentuou a volatilidade dos mercados. Este estrangulamento logístico tem repercussões imediatas em economias dependentes de importações, como a moçambicana.
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Anuncie aqui!Perante este cenário, o Governo apela à contenção e à adaptação. Recomenda o uso de transportes públicos, o recurso ao teletrabalho e uma gestão mais racional do consumo energético. “É necessário preparar o país para um novo normal”, sublinha o Executivo, antecipando uma possível atualização dos preços dos combustíveis já no próximo mês.
Apesar das pressões, as autoridades garantem que estão a mobilizar recursos para mitigar o impacto. A ministra das Finanças, Carla Loveira, revelou a existência de um fundo de estabilização de 5,2 milhões de euros, destinado a amortecer eventuais aumentos de preços. Ainda assim, admite-se que a margem de manobra seja limitada face à evolução dos mercados internacionais.
Num país onde o custo da energia tem impacto direto no custo de vida, transportes e cadeias de abastecimento, a atual conjuntura coloca desafios imediatos e estruturais. Entre garantias oficiais e sinais de alerta no terreno, Moçambique entra numa fase de incerteza energética que poderá redefinir, a curto prazo, o equilíbrio económico e social.






