A cerimónia de sepultamento decorreu no Santuário do Imam Reza, considerado o local mais sagrado do islamismo xiita no Irão. Milhares de pessoas deslocaram-se até Mashhad, enfrentando temperaturas elevadas para prestar a última homenagem ao antigo líder supremo, que durante 37 anos exerceu a mais alta autoridade política e religiosa do país.
As imagens transmitidas pela televisão estatal mostraram o caixão a ser transportado até ao interior do santuário por membros das forças religiosas e militares. Um dos aspetos mais comentados foi a ausência visível de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e apontado por vários analistas como o seu sucessor político, embora as autoridades iranianas não tenham prestado qualquer esclarecimento sobre a sua ausência durante a cerimónia.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
O funeral decorreu sob fortes medidas de segurança devido ao agravamento da situação militar na região. Nos últimos dias, os Estados Unidos retomaram ataques contra posições iranianas, numa escalada considerada a mais séria desde a assinatura do acordo de cessar-fogo alcançado em junho.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que a trégua “chegou ao fim”, acusando os dirigentes iranianos de manterem uma postura hostil. Apesar das declarações duras, Washington afirmou que continua disponível para contactos diplomáticos caso Teerão demonstre abertura para novas negociações.
As autoridades iranianas acusam os Estados Unidos de terem atingido infraestruturas civis com o objetivo de dificultar a deslocação dos cidadãos às cerimónias fúnebres. Entre as infraestruturas afetadas encontram-se pontes e parte da ligação ferroviária entre Teerão e Mashhad, embora Washington tenha negado qualquer ataque recente contra alvos civis.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
Entretanto, uma instalação militar nas proximidades de Bushehr, cidade onde se encontra a única central nuclear operacional do Irão, também foi atingida. O episódio aumentou ainda mais a preocupação quanto ao risco de um alargamento do conflito em toda a região.
Grande parte da atual crise continua concentrada no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo. O Irão mantém o controlo reforçado sobre esta passagem estratégica e insiste em aplicar novas regras de circulação aos navios que utilizam aquele corredor marítimo.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
Os Estados Unidos acusam Teerão de estar por detrás de ataques contra embarcações comerciais registados nos últimos dias. Como consequência, o tráfego marítimo reduziu significativamente, aumentando as preocupações dos mercados internacionais relativamente ao abastecimento energético.
Em resposta aos bombardeamentos norte-americanos, as forças iranianas voltaram a lançar ataques contra vários países do Golfo, incluindo Kuwait, Bahrein e Qatar. As autoridades jordanas confirmaram igualmente a interceção de vários mísseis que atravessavam o seu espaço aéreo.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
A escalada militar provocou inicialmente uma forte subida dos preços internacionais do petróleo, embora as cotações tenham estabilizado posteriormente. Ainda assim, os analistas alertam que qualquer agravamento no Estreito de Ormuz poderá provocar novas perturbações no mercado energético mundial.
Apesar da escalada militar, milhões de iranianos participaram nas cerimónias realizadas em Teerão, Qom e Mashhad, demonstrando apoio ao antigo líder supremo. Muitos participantes defenderam uma resposta firme às ações dos Estados Unidos e de Israel, considerando que o país atravessa um momento decisivo da sua história.
Ao mesmo tempo, Israel voltou a endurecer o discurso. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o seu país está preparado para voltar a atacar o Irão “uma terceira vez, se necessário”, deixando claro que a possibilidade de uma nova ofensiva militar continua em cima da mesa. Com o processo diplomático praticamente paralisado e as hostilidades novamente em curso, cresce o receio de uma nova fase de instabilidade prolongada no Médio Oriente.






