A África do Sul enfrenta uma nova vaga de hostilidade contra estrangeiros, marcada por manifestações e episódios de violência que estão a gerar fortes reações no continente. Após o Gana, foi a vez da Nigéria exigir explicações e propor o repatriamento dos seus cidadãos, com pelo menos 130 pessoas já inscritas no programa, segundo a ministra Bianca Odumegwu-Ojukwu.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!“As vidas e os negócios dos nigerianos não podem continuar em risco”, declarou a ministra, refletindo a crescente preocupação com a segurança dos estrangeiros no país. A situação evidencia uma deterioração da imagem sul-africana, historicamente vista como um polo de influência e estabilidade no continente.
Há mais de 15 anos, o país regista episódios recorrentes de violência xenófoba, frequentemente ligados ao desemprego elevado, que atinge mais de 60% dos jovens. Embora os episódios mais letais sejam raros, intimidações e campanhas de assédio tornaram-se cada vez mais comuns no quotidiano.
Desde o final de abril, o movimento “March and March” tem organizado protestos exigindo a saída de imigrantes ilegais e responsabilizando estrangeiros pela criminalidade e desemprego. Em cidades como Durban, milhares de manifestantes participaram, alguns liderados por grupos em trajes tradicionais zulus.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Em Joanesburgo, os protestos foram marcados por episódios de violência, enquanto em Pretória a mobilização foi mais limitada. Ainda assim, o impacto das manifestações foi amplificado pela circulação de vídeos de agressões nas redes sociais, gerando indignação em vários países africanos.
O Gana chegou a convocar o embaixador sul-africano após a divulgação de imagens de um cidadão ganês a ser humilhado publicamente. Já figuras políticas nigerianas denunciaram cenas de perseguição a estrangeiros, comparando-as a caçadas humanas, num discurso que intensificou a pressão diplomática.
Especialistas alertam, contudo, para a possível presença de desinformação e até de interferência externa, com o objetivo de fragilizar a coesão nacional e reduzir a influência regional da África do Sul. Países como Rússia e Israel foram mencionados como potenciais atores, embora sem confirmação oficial.
O presidente Cyril Ramaphosa apelou à contenção, lembrando o apoio histórico de países africanos na luta contra o apartheid. No entanto, enfrenta um contexto político delicado, com eleições municipais próximas e uma crescente insatisfação interna.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!“Não devemos permitir que preocupações legítimas sobre imigração alimentem preconceito contra africanos”, afirmou. Ainda assim, analistas consideram que o governo está a subestimar a gravidade do fenómeno, num clima descrito como cada vez mais explosivo e perigoso.
A combinação de tensões sociais, crise económica e mobilização identitária levanta receios de uma escalada mais grave. Para muitos observadores, a África do Sul enfrenta um momento decisivo, entre preservar a sua liderança regional ou ver-se isolada por uma crise interna de grandes proporções.





