Durante o encontro com o Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar Branco, Daniel Chapo destacou quatro prioridades da cooperação bilateral: o reforço das relações parlamentares, o Diálogo Nacional Inclusivo, o fortalecimento da CPLP e a continuidade do apoio internacional ao combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
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O Chefe do Estado defendeu que a estabilidade do norte de Moçambique representa um interesse comum para o país e para os seus parceiros internacionais. Segundo afirmou, garantir segurança em Cabo Delgado significa também proteger investimentos energéticos considerados estratégicos para a Europa, em particular os grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL).
O apelo dirigido a Portugal surge numa fase particularmente sensível da cooperação internacional. Nos últimos meses, a União Europeia decidiu não renovar o financiamento destinado às tropas do Ruanda, que desempenham um papel determinante nas operações militares contra os grupos insurgentes desde 2021.
Na sequência dessa decisão, Kigali e Maputo alcançaram um entendimento para que o Governo moçambicano passe a financiar directamente a permanência do contingente ruandês. Embora a missão europeia continue a apoiar a formação e capacitação das Forças de Defesa e Segurança (FDS), a responsabilidade pelo financiamento das tropas do Ruanda deixou de ser assumida por Bruxelas.
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Esta alteração reforça a importância da ofensiva diplomática conduzida por Daniel Chapo, que pretende evitar uma redução do envolvimento europeu numa altura em que os grupos extremistas continuam activos em distritos como Macomia, Mocímboa da Praia, Quissanga e Palma.
Apesar dos progressos alcançados pelas operações militares, os confrontos persistem e continuam a provocar deslocações de populações, necessidades humanitárias e ameaças aos grandes investimentos instalados na bacia do Rovuma.
Em paralelo, o Governo reforçou a sua estratégia de segurança com a transferência do Comando do Teatro Operacional Norte de Pemba para Mocímboa da Praia, aproximando a coordenação militar das principais zonas de combate e permitindo respostas mais rápidas às incursões insurgentes.
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A estabilidade de Cabo Delgado permanece igualmente decisiva para a retoma plena dos megaprojectos de GNL, cuja evolução continua dependente das condições de segurança na região.
Ao associar a segurança de Cabo Delgado à estabilidade energética internacional, Daniel Chapo procura reforçar a importância estratégica de Moçambique junto dos parceiros europeus. A diversificação das fontes de energia tornou-se uma prioridade para a Europa após a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, aumentando o interesse pelos recursos energéticos moçambicanos.
A decisão sobre uma eventual renovação do apoio europeu deverá ser discutida pelos Estados-membros da União Europeia nos próximos meses. Até lá, Maputo continuará a apostar na diplomacia para garantir que a cooperação internacional no combate ao terrorismo permaneça uma prioridade e que os avanços alcançados nos últimos anos sejam preservados.
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