A Environment Canada registou para Toronto um Índice de Saúde da Qualidade do Ar superior a 10, classificação considerada de “risco muito elevado” para a população.
As previsões meteorológicas indicavam que as condições perigosas poderiam manter-se até quinta-feira à noite, devido à permanência do fumo proveniente dos incêndios que atingem várias zonas do país.
Segundo a empresa suíça IQAir, especializada em tecnologia de monitorização da qualidade do ar, Toronto ultrapassou cidades como Kinshasa, na República Democrática do Congo, e Nova Deli, na Índia, nos níveis de poluição atmosférica.
Para Armen Araradian, especialista da IQAir, o principal factor responsável pelo agravamento da qualidade do ar são os incêndios florestais, embora as temperaturas acima do normal também estejam a contribuir.
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Apesar de a época de incêndios deste ano no Canadá estar a ser menos intensa do que em alguns anos anteriores, o país registava mais de 800 incêndios activos.
Os dados oficiais indicavam que cerca de 835 incêndios estavam em curso em todo o território canadiano, dos quais 112 eram considerados fora de controlo.
As províncias de Manitoba, Saskatchewan e Ontário concentravam grande parte dos focos activos, com uma área total afectada superior a 1,9 milhões de hectares.
As autoridades canadianas explicam que as temperaturas mais elevadas do que o habitual continuam a criar condições favoráveis para a propagação das chamas.
Um dos episódios que chamou a atenção aconteceu no norte de Ontário, onde um comboio da companhia Canadian National Railway ficou cercado pelo fogo.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram o comboio envolvido pelo fumo e pelas chamas perto de Armstrong, uma zona afectada pelos incêndios.
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A empresa ferroviária informou que funcionários e moradores da região foram evacuados preventivamente e que as operações ferroviárias foram suspensas temporariamente naquela área.
O episódio ilustra a dimensão dos incêndios e o impacto que estes têm provocado nas actividades económicas e nas comunidades locais.
O impacto dos incêndios ultrapassou igualmente a fronteira canadiana, afectando vários estados norte-americanos.
Regiões como Nova Iorque, Pensilvânia, Connecticut, Massachusetts, Maine e New Hampshire registaram uma deterioração da qualidade do ar devido ao avanço do fumo.
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Na cidade de Nova Iorque, as autoridades emitiram um alerta de saúde pública, recomendando que os residentes reduzissem actividades físicas intensas no exterior.
O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos indicou que o fumo poderia permanecer na região até ao final da semana.
Especialistas alertam que a situação poderá repetir-se com maior frequência nas próximas décadas devido às alterações climáticas e ao aumento das temperaturas médias.
Dan Westervelt, investigador da Universidade de Columbia, afirmou que algumas regiões ainda poderiam enfrentar uma deterioração adicional da qualidade do ar antes da melhoria das condições.
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O fenómeno ocorre poucos dias antes da final do Mundial 2026, que deverá reunir dezenas de milhares de pessoas num estádio ao ar livre em Nova Jérsia.
As autoridades norte-americanas recomendaram atenção especial para pessoas com problemas respiratórios ou outras condições de saúde vulneráveis.
O professor Greg Evans, da Universidade de Toronto, explicou que a cidade foi atingida simultaneamente por uma vaga de calor intenso e pelo fumo dos incêndios florestais.
Segundo o especialista, este tipo de combinação poderá tornar-se mais comum no futuro, exigindo maior preparação das cidades e das populações.
Os governos do Canadá e dos Estados Unidos continuam a acompanhar a evolução dos incêndios e da qualidade do ar, enquanto equipas de emergência trabalham para controlar os focos activos.
O episódio reforça o impacto crescente dos incêndios florestais como um dos principais desafios ambientais e de saúde pública na América do Norte.







