O sistema funciona através de pequenos bicos instalados nos telhados dos edifícios, que libertam partículas de água extremamente finas. Estas gotas permanecem suspensas durante alguns instantes antes de evaporarem, absorvendo calor durante a passagem do estado líquido para o estado gasoso.
Este processo, conhecido como arrefecimento por evaporação, funciona de forma semelhante ao suor humano, que ajuda a regular a temperatura do corpo. Segundo especialistas citados pela imprensa tecnológica, a temperatura junto às fachadas pode diminuir entre cinco e oito graus Celsius após a ativação do sistema.
O funcionamento é praticamente automático. Sensores ativam a pulverização quando a temperatura ultrapassa determinado limite e interrompem o processo quando o ar arrefece, sem necessidade de intervenção dos moradores.
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Uma das principais vantagens apontadas é o menor consumo energético. Enquanto um aparelho de ar condicionado necessita de compressores com elevado gasto elétrico, o sistema de nebulização depende essencialmente de bombas de água e de uma quantidade limitada de energia.
Em zonas urbanas com vários edifícios equipados com esta tecnologia, o efeito combinado poderá contribuir para reduzir o calor acumulado nas ruas e diminuir a pressão sobre as redes elétricas durante períodos de temperaturas extremas.
Apesar de parecer uma inovação recente, o conceito tem raízes históricas na própria China. Durante a dinastia Tang, há mais de mil anos, o Palácio de Daming já utilizava mecanismos baseados na água para reduzir o calor no interior dos edifícios.
Na época, rodas hidráulicas transportavam água até aos telhados, permitindo que esta escorresse pelas estruturas exteriores como uma espécie de cascata contínua, criando um ambiente mais fresco ao redor das construções.
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Os sistemas modernos recuperam essa ideia, substituindo as grandes quantidades de água por uma fina névoa produzida através de tecnologia de alta pressão.
Ao contrário dos sistemas tradicionais de climatização, que libertam calor para o exterior e podem contribuir para o aumento das temperaturas urbanas, a nebulização reduz diretamente a sensação térmica em espaços abertos, como ruas, passeios e áreas próximas dos edifícios.
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A tecnologia surge como uma alternativa para tornar as cidades mais habitáveis durante ondas de calor cada vez mais frequentes, num contexto marcado pelos efeitos das alterações climáticas.
A China tem desenvolvido outras soluções para responder ao aumento da procura por refrigeração. Em cidades como Shenzhen, estão a ser testadas redes subterrâneas de água fria produzida durante a noite, quando existe maior disponibilidade de eletricidade, para ser distribuída durante o dia a edifícios e centros comerciais.
A nebulização dos telhados apresenta uma abordagem mais simples e localizada, mas segue o mesmo objetivo: reduzir a dependência dos sistemas tradicionais de ar condicionado e limitar o impacto energético do calor extremo.
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No entanto, o método apresenta um desafio importante: o consumo contínuo de água. Embora permita economizar eletricidade, a tecnologia pode representar uma pressão adicional em regiões onde os recursos hídricos já são limitados.
Os próximos testes deverão avaliar a quantidade de água utilizada para cada grau de redução da temperatura, antes de uma possível expansão para cidades mais secas e vulneráveis ao stress hídrico.





