Na semana passada, Saleh Mamman foi considerado culpado de 12 acusações criminais, incluindo a utilização de empresas privadas para desviar fundos associados a projetos de centrais elétricas financiadas pelo governo. O tribunal concluiu que o antigo governante participou num esquema destinado a ocultar a origem ilícita dos valores movimentados durante a sua gestão no Ministério da Energia.
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Anuncie aqui!O ex-ministro, de 68 anos, foi condenado à revelia esta quarta-feira. Segundo a Economic and Financial Crimes Commission (EFCC), Mamman encontra-se “desaparecido” desde a sua condenação inicial e permanece sem paradeiro conhecido pelas autoridades nigerianas.
Na segunda-feira, o Tribunal Superior de Abuja, capital da Nigéria, emitiu um mandado de captura contra o antigo ministro, que liderou o Ministério da Energia entre 2015 e 2021 durante o governo do ex-presidente Muhammadu Buhari.
Até ao momento, Saleh Mamman não comentou publicamente a decisão judicial nem respondeu às acusações apresentadas pelas autoridades anticorrupção do país.
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Anuncie aqui!Apesar disso, poucas semanas antes da sentença, o antigo governante tinha anunciado nas redes sociais a intenção de concorrer ao cargo de governador do estado de Taraba nas eleições de 2027, em nome do partido no poder, o All Progressives Congress (APC).
Mamman dirigiu o Ministério da Energia numa altura em que a administração de Muhammadu Buhari prometia reforçar o combate à corrupção e aumentar a transparência na gestão pública. No entanto, o então ministro acabou afastado do governo durante uma remodelação ministerial conduzida pelo antigo Presidente, após aquilo que Buhari descreveu como uma “revisão crítica e independente” do desempenho dos membros do executivo.
Durante a leitura da sentença esta quarta-feira, o tribunal ordenou ainda que o ex-ministro devolva cerca de 22 mil milhões de nairas, equivalentes a aproximadamente 16 milhões de dólares, aos cofres do Estado nigeriano.
O caso faz parte de uma ampla campanha anticorrupção conduzida pela EFCC, que nos últimos meses intensificou investigações contra antigos altos responsáveis do governo nigeriano. Entre os nomes investigados encontram-se o ex-ministro da Justiça, Abubakar Malami, e a antiga ministra dos Assuntos Humanitários, Sadiya Umar Farouq, recentemente declarada procurada pelas autoridades. Ambos negam qualquer irregularidade.
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Anuncie aqui!A condenação de Saleh Mamman reacendeu a indignação pública em torno da prolongada crise de eletricidade na Nigéria, sobretudo porque o antigo ministro tinha prometido melhorar significativamente o fornecimento de energia no país.
Apesar de ser um dos maiores produtores de energia de África, a Nigéria continua a enfrentar graves cortes de eletricidade, com apagões frequentes que afetam residências, empresas e serviços públicos em várias regiões do país.
Milhões de famílias e empresas dependem atualmente de geradores movidos a combustível para garantir eletricidade diária. Entretanto, o aumento dos preços dos combustíveis agravou ainda mais as dificuldades económicas enfrentadas pela população, aprofundando o descontentamento social em relação à gestão do setor energético e às sucessivas promessas não cumpridas pelos governos.






