Esta recuperação ocorre após uma forte queda nas importações chinesas, provocada pela crise no Estreito de Ormuz, cuja interrupção afetou cerca de um quinto da oferta mundial de GNL. O Qatar, responsável por cerca de 30% das importações chinesas no ano passado, foi forçado a suspender exportações, o que levou as compras marítimas de gás pela China ao nível mais baixo em oito anos, segundo a consultora Kpler.
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Anuncie aqui!Apesar deste cenário, o setor energético chinês mantém alguma resiliência em comparação com outros países asiáticos. Fornecedores alternativos, incluindo o Canadá e a Nigéria, ajudaram a substituir parcialmente os volumes perdidos. Além disso, a China beneficia de produção doméstica de gás e de uma rede de gasodutos terrestres que reduz a dependência de importações marítimas.
No entanto, a redução dos níveis de armazenamento e a previsão de temperaturas mais elevadas levaram algumas empresas chinesas a recorrer ao mercado spot para garantir abastecimento. Traders indicam que o sul da China deverá registar temperaturas acima da média até ao final de maio, o que aumenta a procura por energia, especialmente para sistemas de ar condicionado.
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Anuncie aqui!O fenómeno climático El Niño, previsto para mais tarde este ano, poderá intensificar ainda mais esta pressão, elevando as temperaturas e aumentando o consumo energético no país. Esta situação tende a agravar a procura por combustíveis, sobretudo para produção elétrica.
Em paralelo, os preços internos do gás registaram uma forte subida. Na província de Guangdong, um dos principais polos industriais do país, o preço do GNL transportado por camião aumentou cerca de 70% desde março, atingindo o valor mais elevado desde 2023, segundo dados da Argus Media. Este preço já ultrapassa o valor do GNL no mercado spot internacional, tornando mais vantajosa a importação para revenda no mercado interno.
Várias empresas chinesas já reagiram a esta dinâmica. O grupo estatal Guangdong Energy Group Co. adquiriu carregamentos recentemente, enquanto a Zhejiang Provincial Energy Group Co. fechou contratos para entregas previstas entre junho e julho.
Apesar da recuperação, o mercado continua vulnerável. Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado e os preços internacionais elevados, a procura chinesa por GNL poderá manter-se pressionada. Analistas alertam que o recente aumento das importações pode ser temporário e dependente da sazonalidade da procura.
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Anuncie aqui!Num contexto mais amplo, as tensões geopolíticas continuam a afetar o mercado energético global. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, num encontro centrado no comércio internacional e na guerra no Irão.
Os Estados Unidos também anunciaram novas sanções contra entidades ligadas à venda de petróleo iraniano à China, aumentando a pressão económica pouco antes das negociações bilaterais.
Por fim, o banco central chinês alertou para riscos de inflação importada devido ao aumento dos preços do petróleo e das matérias-primas. Apesar disso, especialistas económicos consideram que os benefícios esperados para as empresas podem ser limitados caso a volatilidade energética continue elevada.







