O governador do estado mexicano de Sinaloa, Ruben Rocha Moya, enfrenta graves acusações feitas pelas autoridades judiciais dos Estados Unidos, que o apontam como parte de uma alegada rede de colaboração com o poderoso cartel de Sinaloa, uma das organizações criminosas mais influentes do continente.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Segundo o Ministério Público norte-americano, Rocha Moya e outros nove responsáveis políticos mexicanos, incluindo atuais e antigos dirigentes regionais e nacionais, terão participado num esquema que facilitava a circulação de grandes quantidades de droga, incluindo para o território dos Estados Unidos.
As acusações indicam que esta suposta rede teria permitido ao cartel operar com proteção política, especialmente em troca de apoio eleitoral e influência territorial, num dos estados mais afetados pela violência ligada ao narcotráfico.
O governador rejeitou categoricamente todas as acusações através da rede social X, classificando-as como “completamente falsas e sem qualquer fundamento”. Rocha Moya afirmou ainda que o caso representa um ataque político ao movimento governamental conhecido como “Quarta Transformação”, liderado pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum.
O caso provocou uma forte reação diplomática. O governo mexicano anunciou a intenção de apresentar uma nota de protesto oficial aos Estados Unidos, criticando a divulgação pública das acusações e alegando violação dos protocolos de cooperação entre os dois países.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Segundo as autoridades mexicanas, os pedidos de extradição enviados por Washington não apresentam provas suficientes para sustentar as acusações, o que aumenta a tensão entre os dois governos numa altura sensível da cooperação bilateral em matéria de segurança.
Em resposta, o Ministério Público mexicano abriu uma investigação interna para avaliar os elementos fornecidos pelos Estados Unidos e determinar se existem bases legais para avançar com qualquer procedimento judicial no país.
O caso também envolve alegadas ligações com a facção conhecida como os “Chapitos”, grupo formado pelos filhos do antigo líder do cartel Joaquín “El Chapo” Guzmán, atualmente preso nos Estados Unidos. Segundo as acusações, esta facção terá desempenhado um papel na consolidação política de Rocha Moya em troca de proteção para atividades de tráfico de drogas.
A situação em Sinaloa é marcada por anos de violência extrema, com confrontos entre diferentes facções do cartel — incluindo os seguidores de “El Chapo” e os de Ismael “El Mayo” Zambada — que já provocaram centenas de mortos e desaparecidos.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!A crise surge num momento em que os Estados Unidos intensificam a pressão sobre o México para combater o tráfico de drogas, especialmente o fentanil, considerado uma das maiores ameaças de saúde pública no território norte-americano.
Washington tem ameaçado aplicar sanções económicas e outras medidas de pressão, incluindo restrições comerciais e possíveis ações de segurança, caso o México não reforce o combate aos cartéis.
Em resposta, o governo mexicano liderado por Claudia Sheinbaum aumentou as operações militares e policiais contra o narcotráfico, com apreensões recorde e a neutralização de vários líderes criminosos, tentando ao mesmo tempo evitar uma escalada diplomática.
No entanto, a imprensa mexicana destaca um crescente desconforto em Washington face às alegadas ligações entre setores políticos e o crime organizado, sobretudo no interior do partido no poder Morena, o que agrava ainda mais a crise de confiança entre os dois países.
O caso de Rocha Moya poderá tornar-se um dos episódios mais delicados das relações México–Estados Unidos nos últimos anos, com impacto direto na política interna mexicana e na cooperação bilateral em matéria de segurança e combate ao narcotráfico.





