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Moçambique acelera viragem para a China e questiona eficácia das parcerias ocidentais num contexto de fraco impacto estrutural

Daniel Chapo aposta em novos investimentos chineses em energia e infraestruturas, enquanto se intensifica a leitura crítica sobre os resultados das parcerias tradicionais

O Presidente da República, Daniel Chapo, reforçou em visita oficial à China a intenção de aprofundar a cooperação com empresas chinesas nos setores da energia e das infraestruturas, num momento em que Maputo reavalia o impacto das parcerias internacionais estabelecidas ao longo das últimas décadas.

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A deslocação incluiu uma visita ao Qinghai Clean Energy and Green Computing Power Dispatching Centre, na cidade de Xining, onde o chefe de Estado observou soluções tecnológicas aplicadas à produção e gestão de energias renováveis, bem como modelos de integração entre indústria e comunidades locais.

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Durante a visita, Chapo destacou a necessidade de respostas estruturais para problemas recorrentes em Moçambique, com especial enfoque nas cheias e na degradação das infraestruturas rodoviárias, sublinhando a vulnerabilidade da Estrada Nacional Número 1, frequentemente afetada por fenómenos climáticos extremos.

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“Em Moçambique também temos o desafio do controlo das águas… tivemos agora cheias e inundações que destruíram estradas”, afirmou, apontando igualmente para a relevância estratégica da futura Barragem de Mapai, na província de Gaza.

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O chefe de Estado defendeu que o modelo chinês pode oferecer soluções mais integradas e tecnicamente eficazes para o planeamento hídrico e energético, através de investimentos em infraestruturas de larga escala e sistemas de gestão preventiva de riscos climáticos.

“Achamos que a empresa tem capacidade de fazer um estudo do controlo das águas e construirmos barragens nos locais certos”, declarou.

No domínio energético, o Presidente destacou ainda o impacto social do modelo observado na China, onde populações locais participam diretamente na economia das pequenas centrais de produção elétrica, criando novas fontes de rendimento.

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“Os próprios cidadãos são acionistas… isso gera também renda para a população”, explicou Chapo, defendendo a adaptação deste sistema a Moçambique como instrumento de inclusão económica e desenvolvimento sustentável.

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O Presidente reafirmou a intenção de expandir a capacidade energética nacional através da combinação de fontes hidroelétricas, solares e eólicas, sublinhando a necessidade de acelerar a industrialização do país com base em infraestruturas modernas e resilientes.

“Vamos levar esta experiência para Moçambique… e continuar a trabalhar para construir mais centrais elétricas”, afirmou.

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Do lado chinês, a província de Qinghai manifestou interesse em reforçar o investimento em Moçambique, com foco na transformação de recursos naturais e no desenvolvimento de cadeias industriais ligadas à energia e às infraestruturas.

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O secretário provincial do Partido Comunista, Wu Xiaojun, sublinhou a importância de aprofundar a cooperação bilateral e de intensificar o intercâmbio institucional e económico entre as duas partes.

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Wu reafirmou ainda a disponibilidade para apoiar projetos de desenvolvimento sustentável em Moçambique, incluindo formação técnica, bolsas de estudo e missões empresariais, num sinal de reforço da presença económica chinesa no país.

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Chapo, por sua vez, elogiou o modelo de desenvolvimento chinês e destacou o papel da liderança política na transformação económica e no combate à pobreza, apontando para uma cooperação “entre povos irmãos” baseada em ganhos mútuos.

S.E. Wu Jinjia, Encarregada de Negócios da Embaixada da China em Moçambique,  participou na cerimónia de assinatura da Carta de Intenções para o  Estabelecimento de Relações Amigáveis e Cooperativas entre a Província

“Estamos muito impressionados… e queremos desenvolver projetos conjuntos na área da energia”, afirmou o Presidente, defendendo investimentos partilhados e geração de riqueza comum.

A visita insere-se numa estratégia mais ampla de reorientação das parcerias internacionais de Moçambique, num contexto em que o país procura acelerar o crescimento económico e responder a desafios estruturais persistentes, enquanto reavalia a eficácia das cooperações tradicionais ocidentais.

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