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Guerra no Médio Oriente entra no 12.º dia e amplia impacto regional, com Líbano entre os países mais atingidos

Com centenas de mortos no Líbano, ataques no Estreito de Ormuz e tensões entre Irão, Israel e Estados Unidos, o conflito aprofunda a instabilidade política e energética global.

Doze dias após o início das hostilidades abertas entre Irão, Israel e Estados Unidos, o conflito no Médio Oriente continua sem sinais claros de desescalada. No terreno e nas declarações oficiais, as principais potências envolvidas mantêm posições firmes, enquanto o impacto da guerra se estende para além das fronteiras directas do confronto. Um dos países mais afectados é o Líbano, que, apesar de não ter declarado formalmente guerra, enfrenta um pesado custo humano e territorial.

Segundo o diário francófono L’Orient-Le Jour, um dos principais jornais do país, a ofensiva israelita contra o Hezbollah provocou pelo menos 634 mortos e 1.444 feridos até 10 de março. O número de ataques e a amplitude da destruição revelam a intensidade da campanha militar. Entre 2 e 8 de março foram registados pelo menos 544 bombardeamentos em 195 localidades libanesas, segundo dados compilados pelo jornal a partir de fontes oficiais e humanitárias.

As consequências humanitárias são particularmente graves. As zonas de evacuação impostas por Israel já cobrem mais de 8% do território libanês, enquanto o número de deslocados continua a crescer. De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, cerca de 759.300 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas, o que representa mais de 11% da população do país — aproximadamente um em cada dez libaneses.

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Ao mesmo tempo, novas revelações indicam que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei e recentemente proclamado novo guia supremo do Irão, terá sido ferido nos bombardeamentos do dia 28 de fevereiro, quando começaram os ataques contra alvos iranianos. A informação foi avançada pelo jornal norte-americano The New York Times, citando fontes iranianas que pediram anonimato.

Segundo o diário, esta poderá ser uma das razões pelas quais o novo líder iraniano ainda não apareceu publicamente desde a sua nomeação. Outra explicação possível prende-se com preocupações de segurança: uma aparição pública ou um vídeo poderiam revelar a sua localização e facilitar um eventual ataque dirigido.

Fontes israelitas citadas pelo mesmo jornal indicam que Mojtaba Khamenei terá sofrido ferimentos nas pernas durante os primeiros bombardeamentos da guerra.

O conflito também reacendeu polémicas sobre possíveis erros militares. Um dos episódios mais controversos ocorreu no bombardeamento de uma escola primária no Irão, também a 28 de fevereiro. Segundo as autoridades iranianas, o ataque provocou 175 mortos, na sua maioria crianças.

Inicialmente, os Estados Unidos negaram qualquer responsabilidade. No entanto, uma investigação militar citada pelo The New York Times sugere agora que a escola terá sido atingida por erro durante um ataque americano contra uma base militar iraniana adjacente. O edifício escolar fazia parte anteriormente do complexo militar, o que terá contribuído para a confusão no processo de identificação do alvo. A informação, contudo, baseia-se ainda em resultados preliminares da investigação e não foi confirmada oficialmente.

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Enquanto isso, o conflito ameaça também uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta: o Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde transitava cerca de 20% do petróleo mundial antes do início da guerra.

Na quarta-feira, três navios foram atingidos por ataques atribuídos à marinha iraniana: um navio com bandeira tailandesa, um japonês e um navio israelita registado na Líbia. Teerão afirma ter assumido o controlo da zona e considera os navios ligados a países aliados de Israel “alvos legítimos”.

De acordo com a BBC, desde o início da guerra pelo menos 13 ataques iranianos foram realizados contra embarcações que operam no Golfo. O tráfego marítimo diminuiu drasticamente na região, aumentando os receios de perturbação no abastecimento global de energia.

Apesar disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que será restabelecida “grande segurança” no estreito num futuro próximo, sinalizando a intenção de Washington de garantir a liberdade de navegação naquela rota estratégica.

O impacto da crise já se faz sentir nos mercados internacionais de energia. Para travar a subida do preço do petróleo provocada pela instabilidade na região, os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram libertar 400 milhões de barris de petróleo das suas reservas de emergência.

Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, trata-se do maior desstock de reservas estratégicas na história da AIE, mais do que duplicando o recorde anterior estabelecido em 2022. A medida visa compensar possíveis interrupções no fornecimento provocadas pela instabilidade no Golfo Pérsico.

A guerra começa também a produzir repercussões inesperadas fora do campo militar. O ministro dos Desportos iraniano, Ahmad Donyamali, anunciou que o país poderá renunciar à participação na próxima Copa do Mundo, que será organizada nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

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Desde que este governo corrupto assassinou o nosso guia, não estamos em condições de participar nesta Copa do Mundo”, declarou o responsável, numa referência directa às tensões com Washington.

Se a decisão for confirmada, poderá tratar-se de um episódio histórico no futebol internacional. Segundo o jornal belga Le Soir, seria o primeiro abandono de uma selecção já qualificada para o Mundial desde a edição de 1950, realizada no Brasil.

Num conflito que começou como uma confrontação directa entre potências regionais e globais, o impacto estende-se agora a múltiplas dimensões — humanitária, energética, económica e até desportiva. À medida que os combates prosseguem, cresce o receio de que a guerra se transforme numa crise regional prolongada, com consequências imprevisíveis para o equilíbrio do Médio Oriente e para os mercados internacionais.