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Moçambique/Sociedade: Colisão com elefante expõe a frágil fronteira entre mobilidade humana e vida selvagem em Moçambique

Acidente no Parque Nacional de Maputo reacende o debate sobre segurança viária em áreas de conservação e a crescente frequência de encontros ao anoitecer.

No sul de Moçambique, um cidadão italiano de 34 anos ficou gravemente ferido após o veículo que conduzia colidir com um elefante, num episódio que evidencia as tensões entre circulação rodoviária e proteção da fauna em zonas de conservação. O acidente ocorreu na noite de sábado, quando o homem atravessava o Parque Nacional de Maputo pela Estrada Nacional n.º 1, a principal via que liga o extremo sul do país à capital, Maputo.

Segundo explicou o diretor do parque, Miguel Gonçalves, o condutor seguia de Ponta do Ouro em direção à capital quando se deparou com elefantes na via, uma ocorrência considerada ocasional, mas não inédita. O impacto foi inevitável. Após a colisão, os animais danificaram completamente o automóvel. O ferido foi transportado para uma unidade de saúde privada em Maputo, onde permanece hospitalizado em estado estável.

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Em comunicado, a Administração Nacional das Áreas de Conservação confirmou que a vítima viajava sozinha e que as circunstâncias do acidente apontam para excesso de velocidade como fator provável. A instituição recorda que, no troço de oito quilómetros que atravessa o parque, a velocidade recomendada é de 50 km/h, precisamente devido à presença frequente de fauna de grande porte.

O caso não é isolado. Trata-se do segundo incidente do género registado este ano naquela zona. O anterior ocorreu fora do troço sinalizado, também na EN1, quando um cidadão moçambicano embateu contra um elefante nas imediações de Ponta do Ouro. Episódios como estes revelam uma tendência mais ampla: o aumento de encontros entre humanos e grandes mamíferos em áreas protegidas atravessadas por infraestruturas viárias.

Dados do relatório Indicadores Básicos do Ambiente 2023, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística, indicam que Moçambique albergava, em 2018, cerca de 9.114 elefantes e 64.800 búfalos, além de outras espécies de grande porte. Estes números ilustram a vitalidade dos ecossistemas, mas também a complexidade da sua coexistência com redes de transporte que fragmentam habitats e aproximam rotinas humanas de corredores naturais de deslocação animal.

Especialistas em conservação observam que os encontros tendem a intensificar-se ao final do dia e durante a noite. O arrefecimento das temperaturas favorece a mobilidade dos grandes herbívoros, que procuram água e alimento em áreas abertas, muitas vezes coincidindo com estradas que cortam o território. A visibilidade reduzida e a menor perceção de risco por parte dos condutores criam condições propícias a acidentes de alto impacto.

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Mais do que episódios isolados, estas ocorrências refletem um desafio estrutural de gestão territorial. As reservas naturais, concebidas para proteger a biodiversidade, tornaram-se simultaneamente espaços de circulação e desenvolvimento. A convivência entre conservação e mobilidade exige sinalização eficaz, fiscalização e, sobretudo, uma mudança de comportamento dos utilizadores das vias.

O acidente no Parque Nacional de Maputo recorda que, em territórios onde a natureza permanece dominante, a estrada não é apenas um corredor de passagem, mas uma zona de contacto direto entre dois mundos. A segurança, nestes contextos, depende tanto da prudência humana quanto do respeito pelos ritmos da vida selvagem.

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