Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão‑Cortina 2026 chegaram ao fim num domingo marcado pela celebração desportiva e pela simbólica passagem de testemunho para os Alpes Franceses, anfitriões da edição de 2030. A última medalha de ouro — a 116.ª da competição — foi conquistada pela seleção masculina dos Estados Unidos no hóquei no gelo, poucas horas antes da cerimónia de encerramento que transformou Verona num palco de memória, arte e transição olímpica.
Ao término de duas semanas de provas, a Noruega confirmou a sua supremacia ao liderar o quadro de medalhas com 41 pódios, seguida pelos Estados Unidos e pelos Países Baixos. Mais do que uma hierarquia desportiva, o balanço final evidenciou o que a presidente do Comité Olímpico Internacional, Kirsty Coventry, definiu como “uma nova geração de Jogos de Inverno”, assente na utilização de infraestruturas existentes e numa organização territorial descentralizada.
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A cerimónia de encerramento, realizada na Arena de Verona, explorou a dimensão simbólica da cidade associada ao imaginário de Romeu e Julieta, transformando o anfiteatro num espaço cénico que celebrou a identidade cultural italiana. O espetáculo destacou a singularidade destes Jogos, distribuídos por sete zonas e uma vasta área geográfica, um modelo que inicialmente suscitou dúvidas logísticas, mas que acabou por afirmar uma nova abordagem organizacional baseada na sustentabilidade e na adaptação territorial.
A transição para a próxima edição olímpica foi formalizada com a entrega do estandarte olímpico aos representantes franceses, num momento que uniu tradição protocolar e projeção futura. A devolução do símbolo olímpico à França, país que já acolhera os Jogos de Albertville em 1992, marcou o início de um novo ciclo organizativo e político para o movimento olímpico de inverno.
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anuncie aqui!No plano desportivo, o torneio de hóquei no gelo masculino devolveu protagonismo aos Estados Unidos, que conquistaram o ouro ao derrotar o Canadá e interromperam um jejum que remontava ao histórico triunfo de 1980. A vitória adquiriu significado adicional face à ausência do capitão canadiano Sidney Crosby, afastado por lesão nos quartos de final.
Entre os desempenhos individuais, a esquiadora sueca Ebba Andersson entrou para a história ao tornar-se a primeira campeã olímpica da prova feminina de 50 quilómetros, disciplina recentemente integrada no programa olímpico. Já a estrela chinesa do esqui acrobático Eileen Gu confirmou o seu estatuto global ao conquistar a medalha de ouro em halfpipe, somando seis medalhas olímpicas em duas edições e consolidando-se como a atleta mais premiada da modalidade na história dos Jogos.
O encerramento de Milão-Cortina deixa, assim, um legado duplo: por um lado, a afirmação de um modelo organizativo que privilegia sustentabilidade e descentralização; por outro, a continuidade de uma narrativa olímpica em permanente reinvenção. Entre tradição e adaptação, o movimento olímpico de inverno prossegue a sua travessia histórica, agora voltada para os Alpes franceses e para os desafios de uma nova década.





