O orçamento anual da OMS caiu de 6,8 mil milhões de dólares para 4,2 mil milhões, obrigando a organização a avançar com uma profunda reestruturação interna. Cerca de 2.400 colaboradores já deixaram a instituição, numa altura em que várias regiões do mundo continuam vulneráveis a surtos epidémicos e emergências sanitárias.
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Anuncie aqui!Especialistas em saúde pública alertam que o principal risco não está apenas na redução financeira, mas sobretudo na perda de profissionais qualificados e de capacidade operacional. Segundo epidemiologistas, a diminuição de recursos pode comprometer cadeias de distribuição de medicamentos, vacinação e assistência médica em países mais frágeis.
O professor de saúde pública Antoine Flahault advertiu que cortes prolongados poderão dificultar a administração de vacinas e tratamentos contra doenças como VIH/Sida, tuberculose e malária. O especialista afirma que, mesmo quando medicamentos chegam aos países afetados, a falta de enfermeiros, médicos e técnicos pode impedir a sua distribuição adequada.
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Anuncie aqui!Além dos Estados Unidos, outros países ocidentais também reduziram o apoio à ajuda internacional, aumentando a pressão sobre sistemas de saúde já fragilizados. Para vários analistas, a situação pode representar um retrocesso significativo nos avanços globais alcançados nas últimas décadas no combate a doenças infecciosas.
Ao mesmo tempo, a República Democrática do Congo enfrenta uma nova vaga de Ebola, considerada uma das mais preocupantes dos últimos anos. A OMS decidiu elevar o nível de alerta internacional devido à rápida propagação do vírus na província de Ituri, no nordeste do país.
Segundo as autoridades sanitárias, o surto está associado ao variante Bundibugyo, uma estirpe particularmente perigosa para a qual ainda não existe vacina eficaz disponível. O vírus já provocou dezenas de mortes em poucas semanas, aumentando os receios de propagação regional.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que a epidemia passou a ser considerada uma “Urgência de Saúde Pública de Alcance Internacional” (USPPI), o segundo nível de alerta mais elevado da organização. Apesar disso, a OMS esclareceu que a situação ainda não cumpre os critérios necessários para ser declarada pandemia.
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Anuncie aqui!Desde 2024, o estatuto de USPPI corresponde ao nível imediatamente inferior ao de emergência pandémica e é ativado quando uma ameaça sanitária apresenta risco de propagação além das fronteiras nacionais.
O vírus Ebola provoca febre hemorrágica altamente contagiosa e pode causar falência múltipla de órgãos. Embora tenham sido desenvolvidos tratamentos e vacinas nos últimos anos, os medicamentos atualmente disponíveis são eficazes sobretudo contra a variante Zaïre, responsável por epidemias anteriores em África.
A nova vaga associada ao variante Bundibugyo preocupa especialistas devido à ausência de imunização específica e à dificuldade de resposta rápida em regiões com infraestruturas de saúde limitadas.
Perante a atual crise financeira da OMS, cresce o debate sobre quais países poderão assumir um papel mais relevante no financiamento da saúde internacional. Analistas apontam a China e países europeus como possíveis atores centrais para compensar a redução da contribuição norte-americana.
Especialistas alertam, contudo, que a combinação entre surtos epidémicos, inflação mundial e dificuldades nas cadeias de abastecimento poderá agravar ainda mais a capacidade de resposta humanitária em regiões vulneráveis, sobretudo em África.







