O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, inaugurou no sábado uma nova ponte-cais na Ilha de Inhaca, uma infraestrutura estratégica avaliada em cerca de 14 milhões de dólares, destinada a melhorar o transporte marítimo, dinamizar o turismo e reforçar a economia local. Situada a poucos quilómetros da cidade de Maputo, a ilha enfrenta há anos desafios relacionados com a mobilidade e o elevado custo das ligações marítimas.
A nova infraestrutura deverá permitir aumentar a frequência das viagens entre Inhaca e o centro de Maputo, passando de uma para duas ligações diárias, facilitando a deslocação de residentes, comerciantes e visitantes. A obra foi construída pela China Road and Bridge Corporation (CRBC) e financiada através de uma parceria entre o Governo, a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) — concessionária do porto da capital — e a empresa pública Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM).
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Anuncie aqui!Durante a cerimónia de inauguração, Daniel Chapo destacou que a infraestrutura deverá beneficiar diretamente cerca de seis mil habitantes da Ilha de Inhaca, que durante anos enfrentaram dificuldades de mobilidade e custos elevados de transporte. “Esta ponte-cais abre novas perspetivas para a mobilidade e para o progresso económico”, afirmou o Chefe do Estado, sublinhando que o projeto representa um passo importante para melhorar a qualidade de vida da população.
Com cerca de mil metros de extensão, incluindo aproximadamente 353 metros de acessos rodoviários e pedonais, a estrutura foi concebida para permitir uma circulação mais segura de pessoas e bens. Segundo o presidente do conselho de administração da MPDC, Ozório Lucas, a ponte foi projetada para suportar veículos até cinco toneladas, com limite máximo de três toneladas por eixo, garantindo elevados padrões de segurança e durabilidade.
O projeto também teve impacto económico durante a sua construção. No pico das obras, cerca de 165 trabalhadores moçambicanos estiveram envolvidos no projeto, contribuindo para a geração de rendimento local e para a transferência de conhecimentos técnicos.
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anuncie aqui!Projetada para uma vida útil de cerca de 50 anos, a ponte-cais foi concebida tendo em conta diferentes cenários ambientais e climáticos, incluindo a subida do nível do mar e o aumento da intensidade das chuvas associados às alterações climáticas. A infraestrutura, com 988 metros de extensão total, permite a acostagem de embarcações em diferentes condições de maré, garantindo maior regularidade no transporte de passageiros e mercadorias.
Segundo Daniel Chapo, a construção da ponte resulta de contrapartidas negociadas pelo Governo no âmbito da extensão da concessão do Porto de Maputo, acordada em fevereiro de 2024 com a MPDC. “Esta obra não surgiu por acaso. Foi uma exigência clara do Governo nas contrapartidas da extensão da concessão do Porto de Maputo. O Estado negociou em defesa do interesse do povo moçambicano e hoje o povo colhe os frutos”, afirmou.
A construção decorreu ao longo de 14 meses, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026, e deverá aumentar a segurança das operações marítimas, além de melhorar o fluxo de pessoas e mercadorias entre Maputo e a ilha.
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, explicou que o investimento total foi de 14,2 milhões de dólares, financiado através de uma parceria entre o Estado, empresas públicas e o setor privado. Segundo o governante, 63% do financiamento foi assegurado pela MPDC, 19% pela empresa Porsche Camilo Ferro e 18% pelo Governo de Moçambique, através do Fundo de Transportes e Comunicações.
Para o ministro, o projeto demonstra o potencial das parcerias público-privadas como instrumento para acelerar o desenvolvimento. “Quando o Estado, o setor privado e as empresas públicas trabalham em conjunto é possível gerar benefícios concretos para a população”, afirmou, acrescentando que o Governo pretende avaliar a possibilidade de operar duas embarcações com ligações marítimas regulares diárias.
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Anuncie aqui!Durante o seu discurso, o Presidente destacou também o potencial turístico da ilha. Inhaca é conhecida pelas suas praias, biodiversidade marinha e forte identidade cultural, fatores que poderão atrair mais visitantes com a melhoria das condições de acesso. Segundo Chapo, pescadores poderão escoar o pescado com maior facilidade, comerciantes reduzir custos e os jovens beneficiar de novas oportunidades ligadas ao crescimento do turismo.
“O turismo é um dos pilares da nossa visão de desenvolvimento. Inhaca tem um enorme potencial que agora poderá ser melhor aproveitado”, declarou o Chefe do Estado, sublinhando que o desenvolvimento da ilha deverá ocorrer de forma sustentável, com respeito pelo ecossistema local.
Na ocasião, Daniel Chapo apelou ainda à população e às autoridades locais para garantirem a conservação da nova ponte-cais, evitando práticas que comprometam a sua durabilidade. “A ponte é do povo moçambicano e deve ser preservada por todos. Queremos uma ilha organizada, limpa e preparada para receber mais visitantes”, afirmou.
Para o Governo, a nova Ponte-Cais de Inhaca integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da economia azul, procurando transformar o potencial marítimo de Moçambique num motor de crescimento económico, turismo sustentável e maior integração territorial.





