O líder da ANAMOLA, Venâncio Mondlane, denunciou este sábado a existência de 436 casos de violência grave associados ao seu projeto político, afirmando que 55 membros já perderam a vida, vítimas de assassinatos. As declarações foram feitas durante a cerimónia de empossamento de coordenadores provinciais, na cidade de Chimoio.
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Anuncie aqui!“Temos 55 mártires desta luta”, afirmou Mondlane, destacando entre eles o nome de Elvino Dias, apontado como o primeiro caso fatal ligado ao movimento. O político sublinhou que os episódios reportados não se referem a incidentes menores, mas a situações de violência considerada grave, alegadamente comunicadas às autoridades judiciais e a organizações de direitos humanos.
A intervenção surge num contexto político ainda sensível em Moçambique, após meses de contestação social que se seguiram às eleições de outubro de 2024. Os protestos começaram dois dias após o assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe, apoiantes de Mondlane, desencadeando uma onda de instabilidade que se prolongou por cerca de cinco meses.
Mondlane defendeu que a criação da ANAMOLA assenta numa luta pacífica, baseada na palavra e não na violência. “Somos um partido sem armas, que usa palavras. O nosso erro foi exigir verdade eleitoral”, declarou, acrescentando que o movimento terá sido alvo de perseguição antes mesmo da sua formalização.
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Anuncie aqui!Apesar das acusações, o político enfrenta também processos judiciais. O Ministério Público moçambicano imputa-lhe vários crimes relacionados com as manifestações, incluindo incitamento à desobediência coletiva e instigação ao terrorismo, acusações que Mondlane rejeita.
No plano institucional, o Procurador-Geral da República, Américo Letela, afirmou anteriormente que o caso dos homicídios está ainda sob investigação, envolvendo “múltiplas linhas” que deverão ser analisadas para apurar a verdade material.
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Anuncie aqui!Paralelamente às denúncias, a ANAMOLA avançou com a sua estruturação interna. Foram empossados dez coordenadores provinciais, representando quase todo o país, com exceção da província da Zambézia, cujo processo ainda decorre. A cerimónia marcou também a abertura do ano político do partido.
Durante o evento, Mondlane apelou aos novos dirigentes que atuem com ética e responsabilidade, colocando os interesses da população acima de ambições pessoais. “Devem servir o povo e lutar para melhorar as condições de vida dos moçambicanos”, afirmou.
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Anuncie aqui!O líder político incentivou ainda a preparação do partido para os próximos desafios eleitorais, nomeadamente as eleições autárquicas de 2028 e gerais de 2029, sublinhando a importância da unidade interna e do trabalho nas comunidades.
A jornada terminou com uma marcha pelas ruas de Chimoio, reunindo apoiantes e novos dirigentes, num gesto simbólico de mobilização política e afirmação pública do partido.
As declarações de Mondlane evidenciam um clima político ainda marcado por desconfiança e acusações mútuas. Ao mesmo tempo, refletem o esforço de reorganização de forças políticas emergentes num país onde a estabilidade institucional continua a ser posta à prova.
A evolução das investigações e o posicionamento das autoridades serão determinantes para clarificar os episódios de violência e definir o rumo do debate político nos próximos anos.







