No domingo, o Royal Festival Hall, em Londres, foi palco de uma noite memorável para o cinema internacional. O filme “Uma Batalha Após a Outra” foi coroado com o prémio de melhor filme na cerimónia dos EE British Academy Film Awards (BAFTA), consolidando-se como favorito para a próxima edição dos Óscares, agendada para 15 de março. Estrelado por Leonardo DiCaprio e Teyana Taylor, o longa levou para casa seis prémios, incluindo melhor realizador, melhor argumento adaptado e melhor ator secundário para Sean Penn, superando concorrentes de peso como “Sinners”, “Hamnet”, “Marty Supreme” e “Sentimental Value”.
Ao receber o principal prémio, Paul Thomas Anderson dirigiu algumas palavras àqueles que questionam a qualidade do cinema contemporâneo, antes de convidar o público a juntá-lo “no bar”, numa demonstração de humor e descontração que marcou a noite.
A temporada de prémios deste ano vinha sendo vista como um duelo entre “Uma Batalha Após a Outra” e “Sinners”. O filme de Anderson recebeu 14 nomeações para o BAFTA, uma a mais que o filme de vampiros dirigido por Ryan Coogler, embora, nos Óscares, “Sinners” lidere com 16 nomeações, três a mais que o concorrente vencedor do BAFTA. Além do sucesso em Londres, “Uma Batalha Após a Outra” já havia conquistado melhor filme, musical ou comédia na última edição dos Golden Globes, bem como os principais prémios no Critic’s Choice Awards e no Directors Guild of America Awards, reforçando seu ímpeto rumo ao Oscar.
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Entre os outros vencedores, “Sinners” destacou-se com três prémios, incluindo melhor atriz secundária, para Wunmi Mosaku, e melhor argumento original. Ao receber o prémio, Ryan Coogler, escritor e realizador do filme, dirigiu uma mensagem aos jovens argumentistas: “Quando olhares para a página em branco, pensa em quem amas, em quem sofre, em quem desejas ver melhor, e deixa que esse amor te inspire.”
Na categoria de melhor realizador, Anderson superou Coogler, Chloé Zhao (“Hamnet”), Joachim Trier (“Sentimental Value”), Josh Safdie (“Marty Supreme”) e Yorgos Lanthimos (“Bugonia”), reafirmando sua autoridade artística e visão singular no cinema contemporâneo.
A grande surpresa da noite veio com o prémio de melhor ator principal, entregue a Robert Aramayo, estrela britânica de “I Swear”, drama biográfico sobre a vida do ativista com síndrome de Tourette, John Davidson. Conhecido do público americano por papéis em Game of Thrones e The Lord of the Rings: The Rings of Power, Aramayo expressou choque ao subir ao palco, superando nomes consagrados como DiCaprio, Timothée Chalamet, Michael B. Jordan, Ethan Hawke e Jesse Plemons, descrevendo o momento como “uma loucura absoluta”.
Na categoria de melhor atriz principal, a vencedora foi Jessie Buckley, pelo papel de esposa de Shakespeare em “Hamnet”. Buckley, que também conquistou o prémio de melhor atriz em drama nos Golden Globes, dedicou a vitória “às mulheres do passado, presente e futuro que me ensinaram e continuam a ensinar a fazer diferente”, lembrando e celebrando outras atrizes presentes no evento.
Publicidade
anuncie aqui!A cerimónia também reservou momentos inusitados, como a entrega do prémio de melhor filme infantil e familiar por Paddington Bear — representado por atores do musical de West End — ao filme indiano “Boong”, uma história de amadurecimento. O urso encontrou dificuldades para abrir o envelope, comentando: “Não é fácil com patas”, antes da diretora Lakshmipriya Devi abordar questões sérias de conflitos étnicos na Índia.
Outro destaque da noite foi a participação de John Davidson, cuja história inspirou “I Swear”, e cujas expressões involuntárias levaram o apresentador Alan Cumming a pedir desculpas aos telespectadores, agradecendo compreensão e sensibilidade em relação à sua condição. Entre os presentes esteve ainda Príncipe William, herdeiro do trono britânico e presidente da British Academy of Film and Television Arts, que compareceu apesar da recente prisão de seu tio, Andrew Mountbatten-Windsor, por alegações de partilha de informações governamentais com Jeffrey Epstein.
A noite no Royal Festival Hall reforçou a relevância do cinema contemporâneo, mostrando que, mesmo em tempos de mudanças rápidas na indústria, histórias poderosas, interpretações inspiradoras e direções audaciosas continuam a capturar a atenção do público e da crítica, moldando o caminho para os prémios mais aguardados do ano.





