A iminente viagem de Donald Trump à China, prevista para 31 de março, é observada com atenção não apenas pelos meios de comunicação ocidentais, mas também por analistas asiáticos, que avaliam se o ex-presidente ainda detém algum poder real de influência sobre Pequim. Embora o evento seja marcado para três dias de encontros e cerimônias, a presença de Trump levanta dúvidas estratégicas sobre o equilíbrio de forças entre as duas maiores economias do mundo.
Pequim, que tradicionalmente mantém discrição sobre visitas de alto nível, vê a chegada de Trump como uma oportunidade simbólica. Para analistas como Julian Gewirtz, ex-diretor de Assuntos China-Taiwan no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, a China quer transmitir ao mundo que “mesmo o país mais poderoso do mundo, após um ano de disputas comerciais, reconhece que os riscos superam os benefícios de enfrentar Pequim diretamente”. A visita, nesse sentido, reforçaria a narrativa de que a China mantém a iniciativa em negociações internacionais.
Publicidade_Pagina_Interna_Bloco X3_(300px X 450px)
Anuncie aqui!
No plano prático, contudo, Trump enfrenta obstáculos significativos. A decisão da Suprema Corte dos EUA que declarou ilegais partes das tarifas impostas por sua administração enfraqueceu sua capacidade de barganha. Embora novas tarifas tenham sido anunciadas, analistas chineses interpretam esse revés como vantagem estratégica para Xi Jinping. Para Prof. Wu Xinbo, da Universidade Fudan, “isso coloca a China em posição mais favorável para as negociações, permitindo que exerça pressão adicional sobre os EUA em setores críticos como tecnologia e comércio de terras raras”.
O encontro terá ainda outras dimensões estratégicas, como Taiwan. Pequim espera obter declarações de Trump que reafirmem a posição americana contra a independência da ilha, enquanto permanece cética quanto a mudanças radicais na política americana. Segundo Prof. Xin Qiang, especialista em Taiwan, “a imprevisibilidade de Trump dificulta qualquer previsão, mas Pequim busca principalmente tempo e estabilidade, mais do que concessões imediatas”.
Publicidade
anuncie aqui!O ponto mais relevante da visita, na perspectiva chinesa, não é apenas o resultado comercial imediato, mas a oportunidade de consolidar diplomacia, reforçar a narrativa de força e ganhar tempo para gerir uma economia em desaceleração e controlar as forças armadas. Com purgas recentes no Exército de Libertação Popular e desafios internos na economia, Xi Jinping vê a visita de Trump como uma chance de fortalecer sua posição sem ceder ao cerco externo.
Em última análise, a visita é percebida em Pequim como um teste de capacidade de Washington de influenciar decisões chinesas, mas dificilmente alterará o curso estratégico do país. Trump pode assinar acordos e participar de cerimônias grandiosas, mas, segundo analistas, a verdadeira vantagem continua sendo da China, que opera com uma abordagem de longo prazo, conciliando estabilidade econômica, controle militar e diplomacia calculada.





