No passado domingo (22), forças federais do México lançaram uma operação em Jalisco com o objectivo de capturar Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) e um dos criminosos mais procurados da América Latina. A intervenção resultou na morte do narcotraficante e provocou dezenas de vítimas, incluindo 25 membros da Guarda Nacional, um guarda penitenciário, um funcionário da promotoria local e vários suspeitos de crimes.
O Secretário Federal de Segurança, Omar García Harfuch, relatou que outros quatro suspeitos morreram em Michoacán e que 85 bloqueios de estradas ocorreram em 11 províncias. Durante a operação, veículos foram incendiados e ataques atingiram postos de gasolina e estabelecimentos comerciais, levando empresas e instituições a suspender temporariamente actividades, como voos comerciais, serviços de autocarros e aulas.
A decisão do governo da presidente Claudia Sheinbaum de actuar neste momento, a cerca de três meses e meio do início da Copa do Mundo, levanta questões estratégicas. Guadalajara, capital de Jalisco, será uma das cidades-sede do torneio, cuja partida inaugural ocorrerá a 11 de Junho na Cidade do México.
Fontes consultadas pela CNN apontam três factores principais para a operação: a oportunidade identificada pelas autoridades mexicanas, a confiança de que poderiam conter a resposta violenta do CJNG, e a pressão dos Estados Unidos, cujo presidente Donald Trump insiste que o México intensifique as acções contra os cartéis de droga.
Publicidade
Anuncie aqui!
Publicidade
Anuncie aqui!Armando Vargas, coordenador do Programa de Segurança da organização não-governamental México Evalúa, explicou que o governo considerou este o momento adequado para agir, apoiando-se em informações de inteligência que permitiram localizar El Mencho com precisão. A operação ocorreu em Tapalpa, região montanhosa de Jalisco de onde o CJNG expandiu as suas actividades criminosas.
Segundo o secretário de Defesa, Ricardo Trevilla, a inteligência detectou que uma parceira de El Mencho chegou à propriedade em 20 de Fevereiro. No dia seguinte, o criminoso permaneceu no local com a sua equipa de segurança, permitindo que forças especiais planificassem a intervenção. O confronto, descrito como “muito violento”, resultou em várias mortes. El Mencho e dois guarda-costas feridos foram evacuados por helicóptero para um centro médico, mas não resistiram durante o transporte. O corpo do narcotraficante foi transferido para a Cidade do México para confirmação oficial da identificação.
Para além do momento oportuno, o governo mexicano considerou a sua capacidade de controlar uma eventual reacção violenta do CJNG, indicam analistas. Vargas sublinha que a operação foi planeada de forma racional, visando minimizar impactos económicos e sociais, aproveitando uma janela que poderia não se repetir após a Copa do Mundo.
O professor Gustavo López Montiel, do Instituto Tecnológico de Monterrey, observou que, ao contrário de operações anteriores, como a captura de Ismael “El Mayo” Zambada em Sinaloa, não existem conflitos internos visíveis no CJNG, reduzindo a probabilidade de uma escalada prolongada de violência na região.
Publicidade
Anuncie aqui!
Publicidade
Anuncie aqui!A operação também refletiu a influência da política norte-americana, com Donald Trump a exigir acção mais enérgica do México contra os cartéis. Apesar da troca de informações com os EUA antes da operação, Sheinbaum enfatizou que todas as acções foram conduzidas exclusivamente por forças mexicanas, rejeitando qualquer intervenção americana em solo nacional.
O especialista Javier Oliva, da Universidade Nacional Autónoma do México, alertou que a reacção dos EUA será determinante nos próximos dias, considerando que 25 membros do Exército e da Guarda Nacional mexicanos perderam a vida durante a operação. Oliva sublinha que será crucial observar se Washington contribuirá para a estabilização da região, para além de declarações e posturas belicosas.
A operação contra El Mencho representa um golpe estratégico contra um dos cartéis mais violentos da América Latina, reforçando a capacidade do México de actuar com planeamento e inteligência. No entanto, os riscos permanecem elevados, tanto em termos de segurança interna como nas relações diplomáticas com os Estados Unidos. Os próximos meses serão decisivos para avaliar os impactos desta acção na estabilidade de Jalisco e do país como um todo, sobretudo com a aproximação da Copa do Mundo, evento que coloca o México sob os olhos do mundo.





