A administração Trump justificou a recente captura do líder venezuelano Nicolás Maduro como uma operação de aplicação da lei destinada a desmantelar um “narco-estado”, além de afirmar que o movimento visava romper os laços da Venezuela com China, Rússia e Irã e colocar as maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo sob controle favorável aos EUA.
Este mix de contranarcóticos, rivalidade entre grandes potências e segurança energética já havia sido elevado a prioridade central na estratégia de segurança nacional dos EUA. Publicado no final de 2025, o documento reafirma a intenção de “reafirmar e impor a preeminência americana no hemisfério ocidental” e negar “ativos estrategicamente vitais” a potências rivais.
Donald Trump apelidou este projeto hemisférico de “Doutrina Donroe”, apresentando-o como uma atualização da política da Doutrina Monroe do século XIX, quando os EUA buscavam impedir interferência europeia nas Américas. A intenção clara é reforçar o controle americano na América Latina, recompensando governos leais e punindo aqueles considerados desafiadores.
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Anuncie aqui: clique já!Se a Venezuela representa o primeiro teste da Doutrina Donroe, outros países latino-americanos já estão no foco de Washington. O alvo mais imediato é Cuba, historicamente adversária dos EUA desde 1959, após a revolução de Fidel Castro. Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, sugeriram abertamente que Cuba poderia ser o próximo alvo, alegando que o colapso econômico causado pela perda do petróleo venezuelano seria suficiente para derrubar o governo cubano sem necessidade de intervenção militar direta.
Cuba enfrenta hoje sua pior crise desde 1959: apagões de até 20 horas, salários reais em queda e cerca de 1 milhão de cubanos que deixaram o país desde 2021. Por mais de duas décadas, a Venezuela forneceu petróleo e financiamento a Cuba em troca de profissionais como médicos, professores e agentes de segurança — 32 destes últimos foram mortos durante a captura de Maduro, segundo o governo cubano.
A situação do México também preocupa Washington. Em 2025, o país se tornou o principal fornecedor de petróleo de Cuba, enviando cerca de 12 mil barris por dia, representando 44% das importações da ilha. A administração Trump tem ameaçado tomar medidas contra cartéis mexicanos, incluindo a possibilidade de classificá-los como organizações terroristas e o fentanil trafegado como arma de destruição em massa.
A operação em Caracas exigiu seis meses de planejamento meticuloso e recursos extraordinários, tornando improvável a repetição de incursões semelhantes em outros países. No entanto, ataques militares direcionados não podem ser descartados. Trump afirmou na Fox News, em 8 de janeiro: “Vamos começar a atacar o território em relação aos cartéis. Os cartéis estão controlando o México.”
Enquanto isso, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum busca criar buffers protetores, combinando condenação da operação em Caracas com cooperação intensiva em migração e segurança, incluindo patrulhamento da marinha mexicana para interceptar embarcações suspeitas de tráfico de drogas.
Outros países também observam com apreensão. Colômbia, tradicional aliado militar dos EUA, tornou-se alvo potencial após críticas do presidente Gustavo Petro à operação venezuelana. Apesar da tentativa de conciliação, a intervenção de Trump já influencia o clima eleitoral colombiano.
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Anuncie aqui: clique já!Nicarágua e outros regimes considerados aliados de Cuba e Venezuela também seguem atentos, reforçando estruturas de segurança, cientes de que podem ser próximos alvos caso Trump decida expandir sua narrativa de “narco-terrorismo”.
A estratégia americana transforma preocupações históricas — drogas, migração e influência de grandes potências — em um instrumento de coerção flexível. Países que desafiam Washington ou acolhem rivais arriscam ser tratados como ameaças à segurança, perder apoio econômico e, possivelmente, enfrentar ações militares.
Enquanto isso, aqueles que mantêm uma postura submissa podem evitar punição imediata, mas pagam o preço da aceitação da dominação hemisférica como realidade incontestável, em vez de doutrina a ser resistida.





