Minneapolis — Apesar da neve intensa e das baixas temperaturas, estavam previstas para este domingo manifestações de grande dimensão em várias cidades dos Estados Unidos, em protesto contra a morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, abatido na manhã de sábado em Minneapolis por um agente do Immigration and Customs Enforcement (ICE). Segundo o The New York Times, actos de protesto foram anunciados em cidades como Chicago, Los Angeles, Omaha, Madison (Wisconsin) e Portland (Oregon).
Na própria Minneapolis, o tiroteio desencadeou uma nova vaga de manifestações, algumas das quais degeneraram em actos de violência. Ao longo do dia, uma multidão revoltada concentrou-se nas ruas e insultou agentes federais, chamando-os de “cobardes” e exigindo a sua retirada imediata da cidade, avançou a CNN. Perante a escalada da tensão, as autoridades locais solicitaram o apoio da Guarda Nacional para reforçar a segurança, de acordo com o Washington Post.
As circunstâncias da morte de Alex Pretti aprofundaram ainda mais o conflito entre o Estado do Minnesota e o Governo federal, que apresentam versões radicalmente opostas sobre os acontecimentos. O governador do Minnesota, Tim Walz, classificou o homicídio como “revoltante” e voltou a exigir à administração Trump o fim das operações da polícia de imigração no Estado. Walz acusou os cerca de 3.000 agentes da ICE destacados em Minneapolis de estarem a “semear o caos e a violência”.
O presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey, questionou publicamente a continuidade da operação federal. “Quantos habitantes, quantos americanos ainda terão de morrer ou ficar gravemente feridos para que esta operação termine?”, declarou numa conferência de imprensa.
Nas horas que se seguiram ao tiroteio, instalou-se uma verdadeira disputa em torno das provas, descrita pelo Wall Street Journal como uma “batalha pelas evidências”, entre as autoridades do Minnesota e o Governo federal. O Estado solicitou a um juiz que proibisse o Departamento de Segurança Interna (DHS) e o Departamento de Justiça de destruir ou ocultar provas relacionadas com a actuação da ICE.
Num documento apresentado ao tribunal distrital, o procurador-geral do Minnesota, Keith Ellison, afirmou que os agentes federais cometeram “erros surpreendentes” após o tiroteio, alertando para o risco de que o Governo federal continuasse a ocultar provas. Uma audiência está marcada para segunda-feira, no tribunal federal do Minnesota.
Após o incidente, agentes federais ordenaram à polícia de Minneapolis que abandonasse o local do crime e impediram investigadores do Bureau de Investigação Criminal do Minnesota de acederem à área, apesar de estes possuírem um mandado judicial assinado pela juíza Gina Brandt. A secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, indicou que a investigação deverá ser conduzida pelo DHS, e não pelo FBI.
O caso gerou reações fortes no seio do Partido Democrata. O governador do Illinois, JB Pritzker, afirmou que “agentes federais mascarados mataram uma pessoa no Minnesota” e exigiu o fim imediato das operações da ICE, defendendo o corte de financiamento e o encerramento das suas acções.
Também o presidente da câmara de Chicago, Brandon Johnson, condenou o ocorrido nas redes sociais. “Depois de manifestações que reuniram centenas de milhares de pessoas em defesa da nossa humanidade comum, a ICE matou mais uma pessoa inocente em Minneapolis”, escreveu, acrescentando: “A ICE deve ser abolida.”
Mesmo entre os republicanos, o episódio causou desconforto. O senador Bill Cassidy, da Louisiana, classificou os acontecimentos como “extremamente preocupantes”, defendendo uma investigação conjunta e completa entre as autoridades federais e o Estado do Minnesota, por considerar que a credibilidade da ICE e do DHS está em causa.
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Teste GratuitoEntretanto, o líder da minoria democrata no Senado, Charles E. Schumer, anunciou que os democratas irão votar contra o projecto de lei do orçamento que prevê a atribuição de 64,4 mil milhões de dólares ao DHS. A posição aumenta o risco de um shutdown governamental, uma vez que a proposta necessita do apoio de pelo menos sete senadores democratas para ser aprovada.
Segundo a imprensa norte-americana, uma eventual paralisação poderá afectar vários ministérios, incluindo Defesa, Educação, Saúde, Trabalho e Relações Externas. Muitos trabalhadores essenciais poderão ficar sem remuneração, embora os agentes da ICE e da patrulha fronteiriça continuem a ser pagos, graças a fundos adicionais aprovados numa lei fiscal promulgada no ano passado.





