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Internacional/América do Norte: Trump e Putin Confirmam Encontro em Alasca para Buscar Soluções à Guerra na Ucrânia

Marcada para 15 de agosto, a cimeira entre os líderes dos EUA e da Rússia visa discutir caminhos para o fim do conflito, apesar das divergências profundas e da exclusão momentânea da Ucrânia nas negociações.

Os Estados Unidos e a Rússia concordaram em realizar um encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin na próxima sexta-feira, com o objetivo de discutir possíveis soluções para acabar com a guerra na Ucrânia.

Trump anunciou o encontro na última sexta-feira, o mesmo dia em que estabeleceu um prazo para que a Rússia aceitasse um cessar-fogo imediato, sob ameaça de novas sanções americanas mais severas.

Durante este verão, foram realizadas três rondas de negociações entre a Rússia e a Ucrânia, a pedido de Trump, mas nenhuma delas aproximou os dois lados da paz.

Este encontro entre os dois líderes vai acontecer no Alasca — um território que pertenceu à Rússia até 1959, quando foi incorporado aos Estados Unidos.

Por que Putin e Trump vão reunir-se?

Trump tem pressionado intensamente — sem muito sucesso até agora — para pôr fim à guerra na Ucrânia.

Como candidato, Trump prometeu que poderia terminar o conflito em apenas 24 horas após assumir o cargo. Ele também afirmou repetidamente que a guerra “nunca teria acontecido” se fosse presidente na época da invasão russa.

No mês passado, Trump declarou à BBC estar “desapontado” com Putin.

Frustrado, Trump fixou o dia 8 de agosto como prazo para Putin aceitar um cessar-fogo imediato ou enfrentar sanções americanas mais rigorosas.

Quando o prazo expirou, Trump anunciou que se encontraria pessoalmente com Putin no dia 15 de agosto.

O encontro acontece após o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, ter realizado conversas “altamente produtivas” com Putin em Moscovo, na quarta-feira, segundo Trump.

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A Ucrânia participará da reunião?

Um funcionário da Casa Branca afirmou que Trump está aberto a uma reunião tripartida que inclua o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.

No entanto, por enquanto, trata-se de uma cimeira apenas entre Trump e Putin, conforme solicitado inicialmente pelo líder russo.

Em reação à notícia da cimeira no Alasca, Zelenskyy afirmou que quaisquer acordos sem a participação de Kiev seriam “decisões mortas”.

Na sexta-feira, depois que Trump mencionou que poderia haver “alguma troca de territórios” para que Moscovo e Kiev chegassem a um acordo, Zelenskyy afirmou no Telegram:

“Não vamos premiar a Rússia pelo que perpetraram. Quaisquer decisões contra nós, quaisquer decisões sem a Ucrânia, são também decisões contra a paz.”

Em entrevista à Fox News no domingo, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, sugeriu que Zelenskyy poderia juntar-se a Putin e Trump em negociações futuras.

Por ora, contudo, Vance considerou que não seria “produtivo” que Zelenskyy se encontrasse com Putin antes da reunião em Alasca.

“Fundamentalmente, o presidente dos Estados Unidos tem de ser quem reúna estes dois,” afirmou.

Quais são as expectativas de cada lado?

O presidente dos EUA afirmou na sexta-feira que um acordo “para parar os assassinatos” está muito próximo. Ele também já terá sugerido algumas condições para que ambos os lados aceitem pôr fim aos combates.

Embora Rússia e Ucrânia afirmem querer o fim da guerra, cada um deseja condições que o outro rejeita firmemente.

A Ucrânia mantém-se firme em não aceitar o controle russo sobre regiões que recuperou, especialmente a Crimeia.

O presidente ucraniano, Zelenskyy, rejeita a ideia de qualquer negociação sobre o território: “Não há nada a discutir aqui. Isto vai contra a nossa Constituição,” declarou.

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Até agora, Putin não recuou nas suas exigências territoriais, na neutralidade da Ucrânia e no tamanho futuro do seu exército.

A invasão russa baseou-se, em parte, na convicção de Putin de que a Ucrânia se estava a ocidentalizar e na acusação à NATO de querer aproximar tropas da Rússia.

Segundo fontes próximas das negociações, a administração Trump tem tentado convencer líderes europeus a aceitar um acordo de cessar-fogo que permita à Rússia manter grandes partes do território ucraniano.

O acordo permitiria que a Rússia mantivesse o controlo da península da Crimeia e da região do Donbas, composta pelas áreas de Donetsk e Luhansk.

A Rússia ocupou ilegalmente a Crimeia em 2014 e controla a maior parte da região do Donbas.

Em troca, a Rússia teria de ceder as regiões ucranianas de Kherson e Zaporizhzhia, onde possui controlo militar parcial.

“Haverá algumas trocas de territórios que beneficiarão ambos,” disse Trump aos jornalistas na Casa Branca, na sexta-feira.

Vance acrescentou na entrevista à Fox que qualquer futuro acordo “não vai agradar totalmente a ninguém”.

“É preciso fazer a paz aqui… não se pode apontar dedos,” afirmou. “O caminho para a paz exige um líder decidido para sentar as pessoas à mesa.”

Onde vão Trump e Putin reunir-se?

Na sexta-feira à noite, Trump anunciou na rede social Truth Social que o encontro, muito aguardado, terá lugar no dia 15 de agosto, no “grande estado do Alasca”.

“Mais detalhes serão divulgados,” escreveu.

Trump disse ainda que o local é “muito popular por várias razões”.

O local exato do encontro no Alasca ainda não foi divulgado.

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Por que escolheram um território americano?

Os Estados Unidos compraram o Alasca da Rússia em 1867, conferindo um significado histórico ao encontro.

O assessor presidencial russo Yuri Ushakov disse que o local é “bastante lógico”, já que os dois países são vizinhos, separados pelo estreito de Bering.

“Parece lógico que a nossa delegação simplesmente atravesse o estreito de Bering para um encontro tão importante e aguardado dos líderes dos dois países no Alasca.”

A última vez que o Alasca foi palco de um evento diplomático americano foi em março de 2021, quando a equipa diplomática e de segurança nacional de Joe Biden se reuniu com homólogos chineses em Anchorage.

Esse encontro terminou de forma tensa, com acusações mútuas de condescendência e hipocrisia.