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Nova vacina contra o Ébola avança para testes em humanos após aprovação no Reino Unido

A nova vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford recebeu autorização das autoridades britânicas para iniciar ensaios clínicos em humanos, numa resposta rápida ao atual surto de Ébola na República Democrática do Congo.

O projeto começou logo após a declaração de emergência de saúde pública, a 17 de maio, tornando-se a primeira de quatro vacinas atualmente em desenvolvimento a avançar para testes em humanos.

Os primeiros voluntários deverão receber a vacina nas próximas semanas no Reino Unido. A fase inicial envolverá 50 adultos saudáveis, com idades entre os 18 e os 55 anos, que serão acompanhados durante um período de um ano.

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Segundo a investigadora principal, Dr. Katrina Pollock, o objetivo desta primeira fase é avaliar a segurança da vacina, identificar eventuais efeitos secundários e verificar se o organismo desenvolve uma resposta imunitária eficaz.

Paralelamente, investigadores trabalham com parceiros no Uganda para preparar futuros ensaios clínicos em África.

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A vacina utiliza a mesma tecnologia viral que ficou conhecida durante a pandemia de Covid-19, através da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca.

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O método recorre a um vírus inofensivo, originalmente associado a constipações em chimpanzés, que foi geneticamente modificado para transportar uma pequena sequência do material genético da variante Bundibugyo do vírus Ébola.

Esta sequência permite que o organismo produza uma proteína do vírus, suficiente para estimular o sistema imunitário sem provocar a doença. Caso a pessoa seja posteriormente exposta ao vírus verdadeiro, o organismo estará mais preparado para o combater.

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Antes da autorização para os ensaios clínicos, a vacina foi testada com sucesso em ratinhos e macacos. A produção em escala clínica está a ser assegurada pelo Serum Institute of India, que já fabricou cerca de 620 mil doses.

Com base nos resultados laboratoriais, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido autorizou oficialmente o início dos testes em humanos.

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Os investigadores garantem que, apesar da rapidez no desenvolvimento, todas as etapas científicas e regulatórias foram cumpridas de acordo com os padrões internacionais de segurança.

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O atual surto de Ébola está concentrado na República Democrática do Congo, onde já foram confirmados 1.792 casos da doença e 625 mortes.

A variante Bundibugyo já provocou dois surtos anteriores, mas, ao contrário de outras formas do vírus, ainda não dispõe de vacinas ou tratamentos aprovados.

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As autoridades de saúde alertam que o combate ao surto é particularmente difícil devido ao facto de a doença se propagar em zonas marcadas por conflitos armados e por uma elevada mobilidade das populações.

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Embora algumas vacinas contra a Covid-19 tenham sido associadas a efeitos secundários muito raros, como casos de trombose, os investigadores sublinham que esses riscos são extremamente reduzidos quando comparados com a gravidade da infeção por Ébola, cuja taxa de mortalidade pode atingir cerca de um terço dos infetados pela variante Bundibugyo.

Além da vacina desenvolvida em Oxford, existem atualmente outros três projetos internacionais em desenvolvimento, incluindo uma candidata baseada na tecnologia mRNA, produzida pela empresa Moderna.

Os cientistas acreditam que a rápida resposta poderá representar um passo importante no controlo do atual surto e reforçar a capacidade mundial de resposta a futuras emergências sanitárias.