A Guiné anunciou a proibição da exportação de ouro em bruto. A decisão foi formalizada a 21 de junho pelo presidente Mamadi Doumbouya, durante um encontro com produtores industriais, mineiros artesanais e operadores de compra de ouro no país.
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«A partir de agora, a Guiné exigirá que o seu ouro seja transformado no seu próprio território. O ouro em bruto não sairá mais da Guiné», declarou o chefe de Estado, acrescentando que o ouro deverá ser «fundido, certificado e transformado localmente antes de qualquer exportação para os mercados internacionais».
Segundo as autoridades, esta medida pretende corrigir uma desigualdade estrutural, na qual a maior parte da criação de valor do ouro guineense ocorre fora do país, apesar da riqueza das suas reservas.
O governo guineense alertou que qualquer empresa que continue a exportar ouro em bruto poderá ver a sua licença suspensa ou o seu contrato mineiro rescindido.
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Esta decisão insere-se numa política mais ampla implementada desde a chegada ao poder de Mamadi Doumbouya em 2021, centrada no reforço do controlo nacional sobre recursos estratégicos.
Neste contexto, a transformação local deixa de ser apenas uma opção industrial e passa a ser um instrumento de soberania económica.
A Guiné já é o maior produtor mundial de bauxite, mas durante décadas exportou a maior parte deste recurso sem capacidade significativa de transformação local. A partir de 2022, o governo passou a exigir que as empresas mineiras apresentassem projetos de processamento no território nacional.
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Esta orientação traduziu-se em vários anúncios de investimento, incluindo uma refinaria promovida pela State Power Investment Corporation, bem como projetos do Winning Consortium Alumina Guinea e da Nimba Mining Company.
O objetivo é transformar a bauxite em alumina, um produto com maior valor acrescentado nos mercados internacionais.
Para além do caso guineense, esta estratégia reflete uma tendência crescente entre uma nova geração de líderes africanos, que veem no controlo dos recursos naturais uma via para alcançar independência financeira e reduzir a dependência de exportações de matérias-primas não processadas.
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Ao privilegiar a transformação local, estas políticas procuram reposicionar as economias africanas nas cadeias de valor globais.
No caso da Guiné, a proibição da exportação de ouro em bruto simboliza uma viragem estratégica em direção a um modelo económico mais industrializado, autónomo e orientado para a criação de valor interno.






