Quando foi lançada em 2016, a VivaTech recebeu cerca de 45 mil visitantes. Dez anos depois, o evento tornou-se uma das maiores conferências tecnológicas do planeta.
Em 2025, mais de 180 mil participantes provenientes de 171 países passaram pelos pavilhões da feira realizada em Paris.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
A edição de 2026 pretende superar estes números com mais de 15 mil startups, 4 mil investidores e centenas de palestrantes internacionais.
O crescimento consolidou a posição da capital francesa como um dos principais pontos de encontro da indústria tecnológica mundial.

Um dos momentos mais aguardados desta edição é a participação de Jeff Bezos, fundador da Amazon e figura central da revolução digital das últimas décadas.
O empresário deverá abordar temas ligados à inteligência artificial, computação em nuvem, exploração espacial e inovação industrial.
A presença do fundador da Amazon simboliza a transformação da VivaTech numa plataforma capaz de atrair os maiores nomes da tecnologia mundial.
Há apenas uma década, seria difícil imaginar Paris a receber regularmente líderes com tamanho impacto na economia digital internacional.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
A programação inclui ainda personalidades como Yann LeCun, Shantanu Narayen, diretor-executivo da Adobe, e Christophe Fouquet, líder da fabricante de semicondutores ASML.
Também participam representantes da Alibaba, Netflix, Siemens, Booking Holdings, OpenAI e diversas empresas emergentes ligadas à inteligência artificial.
A forte presença internacional demonstra a capacidade da Europa para atrair investimentos, conhecimento e atenção mediática.
No entanto, muitos especialistas alertam que visibilidade não significa necessariamente liderança tecnológica.
O tema escolhido para este ano, “AI: Impact, not Illusion”, reflete uma mudança de prioridades dentro do setor tecnológico.
Depois de anos marcados pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial generativa, as empresas procuram agora resultados concretos e modelos economicamente sustentáveis.
Questões como custos operacionais, segurança dos dados, infraestrutura tecnológica e retorno sobre o investimento ganharam destaque.
A inteligência artificial continua no centro das atenções, mas já não basta impressionar com demonstrações espetaculares.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
Apesar dos avanços registados nos últimos anos, a Europa continua confrontada com um desafio estrutural: a dependência tecnológica externa.
Grande parte das infraestruturas digitais utilizadas pelas empresas europeias continua a ser fornecida por grupos norte-americanos ou asiáticos.
Serviços de computação em nuvem, processadores avançados e plataformas de inteligência artificial permanecem amplamente dominados por empresas estrangeiras.
Esta realidade alimenta o debate sobre soberania tecnológica e autonomia estratégica dentro da União Europeia.
Empresas como ASML, OVHcloud e Mistral AI representam exemplos de sucesso europeu em áreas estratégicas.
Contudo, muitos analistas consideram que o continente ainda enfrenta dificuldades para transformar startups inovadoras em líderes tecnológicos de dimensão mundial.
A fragmentação dos mercados, o acesso limitado a grandes financiamentos e a concorrência internacional continuam a dificultar esse processo.
Mesmo quando cria tecnologias inovadoras, a Europa nem sempre consegue mantê-las ou expandi-las à mesma velocidade dos seus concorrentes.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
A presença de Emmanuel Macron, do primeiro-ministro indiano Narendra Modi e de representantes da Comissão Europeia reforça a dimensão política do evento.
Os debates deverão abordar temas como inteligência artificial, cibersegurança, energia, defesa, semicondutores e infraestruturas digitais.
Para Bruxelas, a questão já não se resume à criação de startups, mas à capacidade de construir ecossistemas tecnológicos completos.
Isso inclui centros de dados, fábricas de chips, redes de comunicação e modelos avançados de inteligência artificial desenvolvidos localmente.
Ao celebrar o seu décimo aniversário, a VivaTech demonstra que a Europa conseguiu criar um evento tecnológico de referência mundial.
No entanto, o verdadeiro desafio da próxima década será transformar essa influência em poder económico e industrial sustentável.
Atrair figuras como Jeff Bezos, Narendra Modi ou Yann LeCun é uma conquista importante para Paris e para o ecossistema europeu.
Mas a grande questão permanece: a Europa será apenas o palco onde se discute o futuro da tecnologia ou conseguirá também tornar-se uma das suas principais protagonistas?





