Emmanuel Macron iniciou no domingo uma visita oficial ao Quénia antes da realização da cimeira Africa Forward, encontro que pretende apresentar a nova política francesa para o continente africano.
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Anuncie aqui!A cimeira, organizada pela primeira vez num país anglófono, surge num momento em que a França enfrenta uma redução significativa da sua influência na África Ocidental, especialmente após a retirada das tropas francesas da região concluída no ano passado.
Desde a independência das antigas colónias africanas, Paris manteve uma forte presença económica, política e militar em vários países africanos através de uma política frequentemente designada como Françafrique, que incluía a presença de milhares de soldados franceses no continente.
No entanto, líderes africanos e movimentos da oposição têm criticado repetidamente aquilo que consideram uma abordagem dominadora e paternalista por parte da França.
O presidente queniano William Ruto, anfitrião do encontro, afirmou que ambos os líderes esperam que a cimeira represente um “ponto de viragem” para uma parceria mais equilibrada entre África e a França.
Por sua vez, Emmanuel Macron comentou as mudanças geopolíticas em curso na região, afirmando que a França pode “discordar” de governos da África Ocidental, mas “nunca discorda dos povos”.
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Anuncie aqui!A cimeira de dois dias, que começa oficialmente na segunda-feira, deverá reunir cerca de 30 chefes de Estado, dos quais dez já chegaram a Nairobi.
Apesar do tom diplomático do evento, a escolha do Quénia como país anfitrião gerou críticas internas. O líder da oposição queniana Kalonzo Musyoka acusou o governo de organizar a cimeira num contexto de ameaças à democracia, ataques à oposição e alegadas violações dos direitos humanos.
“Haverá uma aparência de que somos uma nação coesa, mas sabemos que isso está longe da verdade”, declarou.
William Ruto respondeu afirmando que o país procura construir relações diversificadas e que não está “nem virado para o Oriente nem para o Ocidente”, mas sim “virado para o futuro”.
No mesmo dia, o Quénia e a França assinaram 11 acordos de cooperação envolvendo investimentos em vários setores, incluindo um ambicioso projeto de energia nuclear, modernização dos transportes e agricultura sustentável.
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Anuncie aqui!Segundo Emmanuel Macron, os investimentos pretendem reforçar o “capital humano”, em linha com o foco da cimeira na inovação e no crescimento da população jovem africana.
Esta é apenas a segunda visita oficial de um presidente francês ao Quénia.





