Donald Trump rejeitou publicamente a resposta enviada pelo Irão às propostas norte-americanas destinadas a pôr fim à guerra no Médio Oriente. Segundo a agência semioficial Tasnim, Teerão transmitiu a sua proposta através do Paquistão, que tem atuado como mediador entre as partes.
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Anuncie aqui!A proposta iraniana incluía um cessar-fogo imediato, o fim do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos e garantias de que não haveria novos ataques contra o país. Também previa compensações pelos danos causados pela guerra e reafirmava a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.
O cessar-fogo estabelecido para facilitar negociações tem sido maioritariamente respeitado, apesar de trocas ocasionais de fogo entre as partes envolvidas no conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel em fevereiro.
Apesar de Donald Trump ter afirmado recentemente que a guerra no Irão “terminará rapidamente”, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu declarou que o conflito só poderá terminar depois da eliminação das reservas iranianas de urânio enriquecido.
“Existem ainda instalações de enriquecimento que precisam de ser desmanteladas”, afirmou Benjamin Netanyahu durante uma entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS.
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Anuncie aqui!Por sua vez, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que o país “nunca baixará a cabeça perante o inimigo”, sublinhando que eventuais negociações não representam rendição nem recuo político.
A tensão em torno do Estreito de Ormuz continua a provocar impacto direto nos mercados internacionais. O bloqueio parcial da rota marítima — por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial — fez disparar os preços globais do petróleo.
Segundo informações divulgadas pela plataforma noticiosa Axios, o memorando norte-americano de 14 pontos propunha a suspensão do enriquecimento nuclear iraniano, o levantamento gradual de sanções económicas e a restauração da livre circulação marítima no estreito.
O Irão, no entanto, continua a bloquear parcialmente a passagem estratégica e ameaçou embarcações que não cooperem previamente com Teerão.
O porta-voz militar iraniano Mohammad Akraminia afirmou que navios que atravessem o estreito poderão enfrentar “consequências severas” caso ignorem as exigências iranianas. Acrescentou ainda que os norte-americanos “nunca conseguirão transformar aquela vasta região num verdadeiro bloqueio apenas com a presença da sua frota”.
Os Estados Unidos mantêm forte presença militar no Golfo, incluindo bases no Qatar, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã.
Entretanto, o Reino Unido anunciou o envio de um navio de guerra para o Médio Oriente, podendo integrar uma missão internacional destinada a proteger a navegação no Estreito de Ormuz.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o presidente francês Emmanuel Macron defendem uma missão de segurança marítima coordenada para garantir o tráfego comercial na região após o fim das hostilidades.
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Anuncie aqui!Em resposta, o Irão advertiu que qualquer destacamento militar francês ou britânico no estreito receberá uma “resposta decisiva e imediata”.
O conflito também começou a afetar diretamente países árabes aliados de Washington. O centro britânico de monitorização marítima UKMTO informou que um cargueiro foi atingido por um projétil perto de Doha, no Qatar, provocando um pequeno incêndio sem vítimas.





