MozLife

Internacional/Médio-Oriente: Escalada de violência no Médio Oriente, domingo marcado por bombardeamentos, mortes e tensão regional

Ataques aéreos em Téhéran, Libano e Golfo refletem a intensificação do conflito, enquanto a Liga Árabe denuncia ações “irresponsáveis” do Irã e a população civil continua a pagar o preço mais alto.

As imagens de depósitos de combustível em chamas em Téhéran após bombardeamentos israelitas dominaram a imprensa internacional neste domingo. A guerra, já no seu nono dia, continua a causar destruição e mortes por toda a região, com ataques intensos também no Líbano e nos Estados do Golfo.

Segundo relatos, a força aérea israelita lançou uma nova ofensiva sobre o Irã, atingindo a Agência Espacial Iraniana, ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), o centro de comando da segurança interna do CGRI e cinquenta bunkers supostamente armazenando munições. Um centro de comando da milícia paramilitar Bassidj também foi atingido, conforme o site de Ha’Aretz. Durante a tarde, o comando militar dos Estados Unidos alertou os habitantes de Téhéran sobre uma operação de grande escala iminente, enquanto pelo menos oito cidades iranianas foram bombardeadas na noite de sábado para domingo, segundo a cobertura em direto da Al-Jazeera.

No Líbano, operações militares israelitas no Sul-Líbano e em Beirute deixaram mais de 15 mortos em Sir el-Gharbiyé e quatro mortos no bombardeamento de um hotel na capital, relata o L’Orient-Le Jour. Drones israelitas sobrevoaram permanentemente Saída e os campos palestinos da região, com dois mísseis atingindo áreas próximas ao campo de Aïn el-Heloué, ferindo várias pessoas. Em resposta, o Hezbollah reivindicou ataques contra avanços das forças israelitas em Aïtaroun e Markaba, bem como disparos contra o norte de Israel. O exército israelita anunciou a morte de dois soldados no sul do Líbano, os primeiros desde o início da ofensiva contra o Hezbollah em 2 de março.

Em Israel, sirenes de alerta soaram durante todo o dia, especialmente em regiões centrais, Jerusalém e Tel-Aviv, alvo de mísseis e drones iranianos. A polícia de Tel-Aviv relatou o uso de bombas de fragmentação, resultando em vários feridos.

Ataques iranianos também atingiram o Golfo, com notificações de incidentes na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein e Kuwait, segundo o Guardian. Em Bahrein, uma usina de dessalinização foi danificada; em Kuwait City, uma torre residencial foi atingida, causando a morte de dois guardas fronteiriços. Na Arábia Saudita, dois civis morreram e doze ficaram feridos após o impacto de um projétil em um edifício, reportou a Al-Jazeera, sem precisar a localização exata.

A Liga Árabe reagiu com veemência durante uma reunião extraordinária no Cairo. O secretário-geral, Ahmed Aboul Gheit, qualificou o Irã como “irresponsável” e pediu a Téhéran que colocasse fim a “um grave erro estratégico”. Ele criticou a escalada como uma resposta injustificável aos esforços de paz dos países do Golfo, referindo-se a ataques com mísseis e drones que não podem ser justificados sob nenhum pretexto, em alusão à declaração do presidente iraniano Masoud Pezeshkian.

Publicidade

anuncie aqui!

O balanço de vítimas de uma semana de conflito é alarmante. Segundo o Ministério da Saúde iraniano, 1.200 mortos, incluindo cerca de 200 crianças e 200 mulheres, e mais de 10.000 feridos. No Líbano, ataques contínuos israelitas causaram 394 mortes, com 83 crianças e 42 mulheres entre os mortos. Nos países do Golfo, ataques iranianos provocaram 27 mortes, incluindo seis soldados americanos no Kuwait em 1º de março. Em Israel, ao menos 1.929 pessoas foram hospitalizadas, com 157 nas últimas 24 horas, e uma dúzia de mortos desde o início da guerra.

Além da violência física, a guerra revela-se também no campo tecnológico. Segundo relatos da imprensa norte-americana, a inteligência artificial Claude tem sido usada pelo Pentágono para acelerar operações militares no Irã, numa aplicação sem precedentes em conflito de larga escala, mesmo em meio a disputas com a empresa responsável pelo sistema, Anthropic.

A semana de conflito demonstra a escalada dramática da violência no Médio Oriente, com civis pagando o preço mais alto e tensões regionais aumentando, enquanto esforços diplomáticos ainda tentam travar uma catástrofe humanitária iminente.