A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, encerra a trajetória de um dos narcotraficantes mais procurados do mundo e marca uma viragem na estratégia de segurança no México. Durante duas décadas, o líder do cartel Jalisco Nueva Generación conseguiu evitar a captura, consolidando uma organização que se tornou uma das mais poderosas redes criminosas do continente.
A operação que resultou na sua morte foi autorizada pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e contou com informações de inteligência fornecidas pelos Estados Unidos, incluindo dados atribuídos à CIA. Segundo autoridades mexicanas, a localização do narcotraficante foi possível após a identificação de um contacto ligado a uma das suas relações pessoais, o que permitiu rastrear o esconderijo do líder do cartel.
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O episódio ocorre num contexto de pressão crescente por parte de Donald Trump, que tem exigido ações mais duras contra organizações criminosas responsáveis pelo tráfico de drogas para território norte-americano. Washington chegou a admitir a possibilidade de intervenção militar se o combate aos cartéis não apresentasse resultados visíveis. A ofensiva recente sugere uma intensificação da cooperação bilateral em matéria de segurança, ainda que o governo mexicano insista na preservação da soberania nacional.
Apesar do sucesso operacional, a morte de Oseguera desencadeou uma onda imediata de violência, com tiroteios, incêndios e bloqueios de estradas em várias regiões do país. Em cidades como Guadalajara, veículos foram incendiados e forças de segurança reforçaram patrulhas diante do risco de confrontos entre facções rivais que disputam o controlo do cartel.
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anuncie aqui!Especialistas em segurança alertam que a eliminação de líderes criminosos raramente representa o fim das organizações que comandam. Pelo contrário, abre frequentemente espaço para disputas internas e reorganização do poder, prolongando ciclos de instabilidade. A estratégia de neutralização de chefes de cartéis, aplicada em diferentes momentos da história recente mexicana, tem produzido resultados ambíguos, alternando ganhos táticos com custos sociais elevados.
A operação também simboliza uma mudança política interna. A administração de Sheinbaum tem adotado uma postura mais assertiva em relação ao crime organizado, distanciando-se de abordagens anteriores centradas na redução das causas sociais da violência. Analistas consideram que o episódio redefine o equilíbrio entre cooperação internacional e autonomia estratégica do Estado mexicano.
Mesmo após a operação, o discurso político permanece tenso. Poucas horas depois da confirmação da morte de Oseguera, Trump reiterou publicamente que o México deve intensificar o combate ao narcotráfico, sinalizando que a pressão diplomática continuará a influenciar a agenda regional de segurança.





