Em Bruxelas, a Comissão Europeia prepara-se para atualizar as regras de aquisição de armamento pelos Estados-membros da União Europeia, num contexto de crescentes tensões com a Rússia e de ambições de soberania militar. Mas a administração Trump reagiu rapidamente, ameaçando represálias caso os países europeus priorizem seus fabricantes nacionais em detrimento das indústrias americanas.
O Pentágono e o Departamento de Estado manifestaram-se contra qualquer restrição que limite o acesso das empresas dos Estados Unidos aos mercados europeus, alertando que medidas protecionistas seriam interpretadas como um afrontamento e provocariam uma reciprocidade imediata. Segundo Washington, uma cláusula “Buy European” não apenas restringiria a liberdade de cada capital, mas também poderia fragilizar a OTAN, comprometer a execução de metas de capacidade militar e violar compromissos assumidos no âmbito do acordo comercial transatlântico firmado no verão passado.
Publicidade_Pagina_Interna_Bloco X3_(300px X 450px)
Anuncie aqui!
Historicamente dependente do armamento americano — incluindo caças F-35, sistemas de artilharia HIMARS e defesas aéreas Patriot —, a União Europeia procura agora impulsionar a sua própria indústria de defesa. Iniciativas como o programa SAFE, com financiamento de 150 mil milhões de euros, e o apoio militar à Ucrânia, limitado a 90 mil milhões de euros, exigem que pelo menos 65% do valor dos equipamentos seja produzido dentro da Europa. Esta estratégia reflete um mercado de armas em franca expansão, impulsionado pela incerteza geopolítica e pelo desejo de cada Estado de garantir o seu próprio abastecimento.
Para os especialistas, o comércio de armamento neste cenário torna-se um enjeito estratégico e económico central. Empresas europeias como a italiana Leonardo e a sueca Saab continuam a fornecer os Estados Unidos, enquanto a pressão americana visa assegurar acesso privilegiado ao mercado europeu para suas próprias firmas, mesmo diante dos apelos por uma maior autonomia do continente.
Publicidade
anuncie aqui!A Europa enfrenta, assim, um dilema: incentivar a produção e os empregos locais, ao mesmo tempo em que mantém a observância dos acordos comerciais e militares com Washington. A atualização da diretiva europeia de 2009 poderá revelar-se decisiva, especialmente se incluir cláusulas que favoreçam obrigatoriamente os produtores europeus, o que representaria um marco histórico no comércio transatlântico de armas.
No momento, as discussões prosseguem, e a Comissão Europeia deve apresentar suas propostas no terceiro trimestre de 2026. O embate entre Bruxelas e Washington ilustra a complexidade do mercado global de armamento em tempos de crise, onde soberania, interesses industriais e alianças estratégicas se entrelaçam num equilíbrio delicado e instável.





