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Internacional/Europa: Um em cada cinco europeus considera que a ditadura pode ser preferível à democracia

Levantamento revela insatisfação com o funcionamento da democracia, e não com seus princípios, em meio à ascensão de forças populistas e nacionalistas na Europa.

Demonstrators protest against the Orban government's proposed amendment to taxation legislation in front of the parliament building in Budapest on July 13, 2022. - Hundreds protested against the proposed amendment, which was approved in parliament on July 12, 2022 although small entrepreneurs -- already struggling with inflation -- say it will drastically increase their tax burden. (Photo by Attila KISBENEDEK / AFP)

Um estudo recente realizado pelo instituto de pesquisa AboutPeople, a pedido do think tank Progressive Lab, mostra que um em cada cinco europeus acredita que, em certos casos, uma ditadura seria preferível à democracia. A pesquisa, conduzida entre 25 de novembro e 16 de dezembro de 2025, abrange cinco países: Grécia, França, Suécia, Reino Unido e Romênia.

Segundo os resultados, o descontentamento não é com a democracia em si, mas com a forma como ela funciona na prática. Na Grécia, 76% dos entrevistados expressaram insatisfação com o sistema democrático do país. Na França, o índice chega a 68%, na Romênia 66%, no Reino Unido 42% e na Suécia 32%. Esses números refletem a percepção de uma democracia que, embora valorizada, não atende às expectativas dos cidadãos.

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Além de 22% afirmarem preferir uma ditadura em certos casos, 26% concordaram com a afirmação: “Se houvesse um líder capaz e eficaz em meu país, eu não me importaria que ele limitasse direitos democráticos e não prestasse contas aos cidadãos”. Ainda assim, a rejeição à ideia de governo autoritário continua expressiva, com 69% dos entrevistados se posicionando contra.

Para especialistas, o levantamento não indica um desprezo generalizado pelo sistema democrático. George Siakas, professor assistente na Universidade Demócrito de Trácia, na Grécia, explica que os resultados “expressam insatisfação com o funcionamento da democracia, caracterizada por um sentimento anti-elite e anti-establishment, e não um desejo de autoritarismo”.

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Em termos de confiança institucional, a União Europeia lidera com 43%, seguida pela mídia com 27% e os partidos políticos com 24%. Um terço dos entrevistados discorda que a ascensão da extrema-direita represente uma ameaça à democracia.

O levantamento revela ainda uma sensação significativa de afastamento dos partidos políticos, especialmente entre os gregos, dos quais 55% dizem não se sentirem próximos à legenda que votaram nas últimas eleições. Na Romênia, o índice é de 53%, no Reino Unido 47%, na França 43% e na Suécia 32%.

Dimitris Papadimitriou, professor de ciência política na Universidade de Manchester, contextualiza: “Divisões tradicionais entre países europeus estão desaparecendo e o cenário político se torna mais complexo. Países como a Romênia, que tiveram rápido crescimento econômico, não parecem estabelecer maior confiança na democracia liberal. Já países ricos, como a Suécia, veem suas instituições democráticas sob pressão e a confiança dos cidadãos declinar. França e Reino Unido enfrentam uma crise profunda, enquanto a Grécia oscila entre uma crise geral de confiança nas instituições e uma crença vaga nos ideais democráticos.”

O estudo surge em um momento de crescimento do apoio a forças populistas e nacionalistas na Europa, com partidos de extrema-direita em ascensão nas pesquisas na Alemanha, França e Reino Unido, refletindo um clima de ceticismo sobre as elites políticas tradicionais e sobre a capacidade das democracias modernas de responder às demandas dos cidadãos.

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