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Saúde: E se o Alzheimer não fosse irreversível? Estudo reacende a hipótese ao restaurar a energia do cérebro

Experimentos com ratos mostram recuperação de memória e de funções cerebrais mesmo em estágios avançados da doença, ao reequilibrar o metabolismo neuronal.

Durante décadas, a doença de Alzheimer foi encarada como um processo inexorável de declínio cognitivo. A perda progressiva da memória e das funções mentais parecia seguir apenas um sentido: o da deterioração irreversível. No entanto, um novo estudo norte-americano, publicado na revista Cell Reports Medicine, desafia essa premissa ao demonstrar que um cérebro já severamente afetado pode recuperar funções próximas do normal quando o seu equilíbrio energético é restaurado.

A investigação partiu de uma hipótese simples, mas ousada: a de que o cérebro doente ainda preserva mecanismos de reparação, embora bloqueados por alterações metabólicas profundas. Para testá-la, os cientistas recorreram a dois modelos de ratos geneticamente modificados para reproduzir as principais formas patológicas associadas ao Alzheimer humano, incluindo as alterações ligadas às placas amiloides e à proteína tau.

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Os resultados indicam que o declínio cognitivo não surge apenas da degeneração estrutural do cérebro, mas também de um colapso progressivo do seu metabolismo energético. Antes mesmo da perda acentuada da memória, observou-se uma redução significativa de NAD+, molécula essencial para a produção de energia nas células. Essa queda já havia sido documentada em cérebros humanos afetados pela doença e tende a agravar-se à medida que o quadro clínico evolui.

Os investigadores verificaram que o restabelecimento desse equilíbrio energético pode alterar de forma decisiva o curso da patologia. Um composto experimental, designado P7C3-A20, foi administrado diariamente aos animais. Quando introduzido precocemente, impediu o desenvolvimento dos sintomas. Mais surpreendente ainda, quando administrado em fases avançadas, promoveu uma recuperação significativa da memória e das funções cerebrais, acompanhada da normalização de marcadores biológicos associados à degeneração neuronal.

Num dos modelos estudados, ratos com doença já estabelecida recuperaram desempenhos cognitivos comparáveis aos de animais saudáveis após poucas semanas de tratamento. Segundo o neurologista Andrew A. Pieper, autor principal do estudo, a restauração do equilíbrio energético cerebral permitiu uma recuperação simultaneamente funcional e estrutural, observada em modelos experimentais distintos. Essa convergência reforça a hipótese de que a manutenção adequada do metabolismo neuronal pode desempenhar um papel central na reversibilidade da doença.

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Apesar do impacto dos resultados, a prudência permanece essencial. O tratamento foi testado exclusivamente em modelos animais, e nenhum medicamento capaz de reverter o Alzheimer está disponível para uso clínico em humanos. Os investigadores alertam ainda que alguns precursores de NAD+ comercializados como suplementos podem elevar excessivamente os níveis da molécula, produzindo efeitos indesejáveis, enquanto o composto experimental procura restabelecer apenas valores fisiológicos normais.

O próximo passo será a realização de ensaios clínicos rigorosos que permitam avaliar se a recuperação observada em animais pode ser replicada em pacientes humanos. Até lá, o estudo introduz uma mudança conceptual relevante: a ideia de que o Alzheimer poderá não ser apenas uma doença de degeneração inevitável, mas também um distúrbio potencialmente influenciado pelo metabolismo energético do cérebro.

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