Num dos pavilhões mais movimentados da FACIM em Maputo, a Vodacom montou uma área de demonstração dedicada às capacidades da rede 5G, com equipamentos e aplicações pensadas para mostrar ganhos concretos de conectividade. A iniciativa visou ilustrar como latência reduzida, maior largura de banda e capacidade de conexões simultâneas podem transformar processos e serviços em áreas críticas da economia. Visitantes, empresários e técnicos tiveram a oportunidade de experimentar soluções que vão do apoio remoto em saúde a aplicações de fábrica inteligente, numa tentativa de traduzir conceitos técnicos em benefícios palpáveis. A presença reforça o papel das feiras internacionais como plataformas para aproximar tecnologia, reguladores e potenciais investidores.
A Vodacom usou a plataforma para sublinhar que a adopção do 5G não é apenas uma evolução técnica, mas uma alavanca para produtividade e inclusão digital quando acompanhada de ecossistemas de serviços. Nas demonstrações, foram apresentados casos de uso que evidenciam ganhos de eficiência e possibilidade de novos modelos de negócio, sobretudo onde a conectividade fixa é escassa. A empresa também destacou a importância da interoperabilidade com infraestruturas existentes e da necessidade de parcerias com sector público e privado para acelerar a implantação. Em termos práticos, a feira funcionou como laboratório de ideias, reunindo empresas de TIC, instituições académicas e potenciais clientes para debater aplicações e barreiras.
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Anuncie aqui!Além das provas de tecnologia, representantes da operadora mostraram interesse em discutir formação e capacitação em competências digitais, um elemento considerado chave para transformar disponibilidade tecnológica em uso efetivo. A introdução do 5G implica não só investimento em antenas e espectro, mas também em competências técnicas locais capazes de operar, manter e desenvolver serviços sobre essa base. Em destaque esteve a necessidade de programas de formação técnica e parcerias com universidades e centros de investigação para criar mão-de-obra qualificada. Esse enfoque tenta evitar que a chegada de nova tecnologia amplie desigualdades de acesso ao emprego e aos benefícios da economia digital.
Outro ponto colocado em evidência foi a aplicabilidade do 5G em ambientes industriais e de produção, com demonstrações de sensores conectados e painéis de monitorização em tempo real. Em indústrias com processos sensíveis à latência, a velocidade e a fiabilidade de comunicações 5G podem reduzir tempos de paragem e melhorar manutenção preditiva. Os exemplos na feira incluíram cenários simulados de linhas de produção, onde a integração entre dispositivos IoT e plataformas de análise mostrava potencial para ganho de eficiência. Estas experiências reforçam a ideia de que o retorno do investimento em redes avançadas depende também da digitalização dos processos produtivos.
A área de demonstração também incluiu aplicações para a saúde conectada, com simulações de teleconsulta e transmissão de dados clínicos em tempo real, pensadas para zonas com acesso hospitalar limitado. A disponibilidade de maior largura de banda e comunicação bidireccional confiável permite, em teoria, telemonitorização mais precisa e suporte remoto a profissionais de saúde em locais periféricos. No entanto, especialistas presentes salientaram que a tecnologia deve caminhar acompanhada de protocolos de segurança, privacidade de dados e formação clínica para que os ganhos sejam sustentáveis. A integração entre operadoras, autoridades de saúde e fornecedores de equipamentos médicos foi apontada como requisito para transformar demonstrações em serviços permanentes.
Formadores, estudantes e pequenas empresas aproveitaram os momentos de demonstração para experimentar aplicações de realidade aumentada e realidade virtual sobre 5G, propostas como ferramentas para formação técnica e educação. A menor latência e a capacidade de suportar múltiplos dispositivos conectados simultaneamente abrem janelas para aulas interactivas e laboratórios remotos, particularmente relevantes para áreas onde acesso a infraestruturas físicas é limitado. Ainda assim, persiste a questão do custo do acesso e dos dispositivos necessários para usufruir plenamente dessas soluções, apontando para a necessidade de modelos financeiros inclusivos. As conversas na FACIM apontaram para pilotos e projectos-piloto como próximos passos para validar modelos sustentáveis.
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Anuncie aqui!A demonstração contemplou também soluções de conectividade fixa sem fio (fixed wireless access), que podem ser uma alternativa mais rápida e menos dispendiosa do que cabos em áreas suburbanas e rurais. Essa opção é frequentemente apresentada como ponte para reduzir a lacuna digital, oferecendo velocidades semelhantes às do acesso fixo tradicional em contextos onde a expansão de fibra óptica é pouco viável no curto prazo. Ainda assim, para que essa solução alcance populações mais amplas, serão necessários planos tarifários adaptados e investimentos em pontos de acesso comunitários. A cooperação entre operadores e autoridades locais poderá facilitar a implementação de iniciativas comunitárias de conectividade.
Questões regulatórias e de espectro estiveram presentes nas conversas da feira, com participantes a sublinhar que políticas claras e previsíveis são essenciais para estimular investimento em redes avançadas. O acesso ao espectro, garantias de competitividade de mercado e incentivos à expansão em áreas menos rentáveis figuram entre as preocupações recorrentes. Além disso, a necessidade de normativas que promovam segurança cibernética e protejam dados pessoais foi destacada como condição para aumentar confiança entre utilizadores e serviços digitais. O quadro regulatório será determinante para que as demonstrações tecnológicas se convertam em serviços estáveis e amplamente disponíveis.
Na FACIM, houve também espaço para discutir financiamento e modelos de negócio que viabilizem a transformação digital em empresas locais, sobretudo PME que enfrentam restrições de capital e know-how. A combinação entre financeirização de projectos digitais, parcerias público-privadas e assistência técnica especializada foi apresentada como fórmula para reduzir barreiras à adopção. Organizações interessadas em digitalizar processos procuram soluções com retorno claro e prazos realistas, pelo que pilotos com metas mensuráveis foram apontados como caminho pragmático. Ferramentas de medição de impacto e programas de acompanhamento podem ajudar a provar valor e a alavancar novos investimentos.
Um elemento que emergiu com frequência foi a importância de abordagens centradas no utilizador para garantir que as inovações tecnológicas atendam necessidades reais e não apenas expectativas técnicas. Exemplos mostrados na feira buscaram demonstrar benefícios concretos — como menos tempo de espera em consultas, maior eficiência na manutenção industrial ou experiências educativas mais envolventes — em vez de enfatizar cifras de velocidade. Esse enfoque facilita a aceitação por parte de comunidades e empresas, essenciais para escalar soluções. Ao mesmo tempo, a literacia digital surge como pré-condição para que essas inovações atinjam seu potencial transformador.
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Anuncie aqui!O caminho entre demonstração e implementação efectiva depende igualmente de projectos-piloto que validem hipóteses em contextos locais e de avaliações que quantifiquem benefícios económicos e sociais. Na FACIM, várias propostas receberam interesse para explorar pilotos em parceria com entidades locais, cidades e instituições de ensino. Esses pilotos podem oferecer dados sobre viabilidade técnica, custos operacionais e aceitação pelos utilizadores, elementos cruciais para decisões de escalamento. A conjugação entre investidores privados, entidades de apoio e governação local tende a acelerar a transição de provas de conceito para serviços replicáveis.
A participação da Vodacom na FACIM reforça a noção de que a chegada de redes de próxima geração é mais do que uma melhoria técnica: é uma oportunidade para repensar modelos de prestação de serviços e promover inclusão económica. Contudo, especialistas e interlocutores do sector lembram que avanços tecnológicos devem caminhar lado a lado com políticas públicas, capacitação e mecanismos de financiamento. Essa combinação aumenta as hipóteses de que a tecnologia beneficie amplamente populações e empresas, sobretudo nas franjas que ainda enfrentam barreiras ao acesso. A feira serviu, assim, para materializar debates e identificar próximos passos práticos.
A conclusão das actividades na FACIM deixou claro que, apesar do entusiasmo pelas capacidades do 5G, a sua concretização em serviços quotidianos exigirá coordenação entre múltiplos actores. Operadoras, reguladores, fornecedores de tecnologia, sector académico e utilizadores finais terão de alinhar expectativas, responsabilidades e investimentos. A transformação digital sustentável dependerá de um ecossistema que vá além da infraestrutura e inclua formação, modelos de negócio inclusivos e um quadro regulatório que estimule inovação responsável. Os próximos meses serão decisivos para traduzir demonstrações em projectos de larga escala e impacto mensurável.
Enquanto isso, a demonstração na FACIM serviu para colocar no mapa as possibilidades concretas que o 5G pode oferecer em Moçambique e para identificar desafios a enfrentar em termos de política, financiamento e capacitação. O balanço da participação reforça a necessidade de abordar simultaneamente oferta tecnológica e preparação da procura, de modo a transformar conectividade avançada em ferramentas de desenvolvimento. A experiência mostra que feiras como a FACIM continuam a ser espaços cruciais para testar ideias, atrair parceiros e acelerar o diálogo entre tecnologia e sociedade.





