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Total e a segurança omnipresente: estratégia ou necessidade no Mozambique LNG

Entre discurso e realidade, a insistência na segurança estrutura o argumento de investimento e define o projeto na bacia do Rovuma

Após cinco anos de paralisação, o Projeto Mozambique LNG, na península de Afungi, distrito de Palma, foi oficialmente relançado em janeiro de 2026. O Presidente da República, Daniel Chapo, e o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, destacaram que a segurança é central para a continuidade do mega-investimento, aparecendo repetidamente como justificativa para decisões estratégicas e prolongamentos contratuais.

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A segurança está boa hoje e vamos continuar a trabalhar. Este projeto nunca mais vai parar”, afirmou Pouyanné após encontro em Bruxelas com o Presidente Chapo. Esta insistência constante na proteção de trabalhadores, instalações e áreas adjacentes funciona tanto como garantia de estabilidade perante investidores internacionais quanto como resposta às vulnerabilidades da região de Cabo Delgado, afetada por instabilidade e ataques armados nos anos anteriores.

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O Diretor-executivo do Mozambique LNG, Jean-Pascal Clémençon, reforçou que o projeto irá gerar cerca de 7 mil empregos para cidadãos moçambicanos e contratar empresas locais em logística, transporte marítimo, instalações offshore, gestão de catering, saúde, segurança e tecnologia da informação. Cada uma destas contratações é apresentada como parte de um plano para garantir padrões de segurança elevados, mostrando que o investimento nacional e internacional depende diretamente da capacidade de proteger o projeto.

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O investimento total é de 20 mil milhões de dólares, com produção anual prevista de 13 milhões de toneladas de GNL. Clémençon sublinha que o Mozambique LNG é o primeiro de vários projetos na bacia do Rovuma, e que a integração da segurança no discurso de investimento é estratégica para criar confiança em todos os parceiros e no Estado moçambicano.

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O projeto foi prolongado por mais quatro anos e meio para compensar os prejuízos acumulados durante a suspensão entre 2021 e 2024, estimados em 4,5 mil milhões de dólares. A TotalEnergies argumentou que a retomada só seria possível com condições de segurança plenamente garantidas, usando este ponto como base para negociar extensões contratuais e alinhamento com o Governo.

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Patrick Pouyanné reforçou que manter uma relação estreita com o Presidente de Moçambique é essencial para monitorar a segurança do empreendimento e proteger o investimento, transformando o discurso sobre segurança em ferramenta estratégica de gestão de risco e comunicação com stakeholders internacionais.

Além do foco em segurança, a retoma do projeto terá impactos diretos no mercado de trabalho e nas comunidades locais, abrindo oportunidades para micro, pequenas e médias empresas e fortalecendo cadeias de valor nacionais. Daniel Chapo destacou que a integração das populações locais na cadeia de fornecimento constitui um dos pilares centrais do projeto, reforçando a narrativa da Total sobre segurança, desenvolvimento e responsabilidade social.

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O consórcio é liderado pela TotalEnergies, com Mitsui (Japão), PTT (Tailândia), ONGC, Bharat Petroleum e Oil India (Índia), e a empresa estatal moçambicana ENH. O empreiteiro responsável é o CCS JV, formado por Saipem, McDermott e Chiyoda. Em todos os níveis, a segurança operacional é apresentada como pré-condição para continuidade e retorno financeiro, demonstrando que não se trata apenas de proteção física, mas também de estratégia de investimento.

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Com três projetos aprovados na bacia do Rovuma, Moçambique mira tornar-se um dos maiores produtores mundiais de GNL, com receitas potenciais de até 100 mil milhões de dólares até 2040, representando 20% da produção africana. A ênfase contínua na segurança transforma-se em argumento central da TotalEnergies para atrair parceiros, justificar investimentos bilionários e garantir que os retornos esperados se concretizem sem interrupções.