Maputo, 12 de janeiro de 2026 – A gentileza é uma qualidade valorizada, muitas vezes exaltada como traço de caráter admirável. No entanto, nem todos os gestos aparentemente altruístas são motivados por genuíno desejo de ajudar. Um comportamento recorrente e potencialmente prejudicial é o chamado people pleasing, ou “agradar os outros a todo custo”, que pode esgotar emocionalmente e gerar consequências duradouras para quem o pratica.
De acordo com a doutora em neuropsicologia Nawal Mustafa, este comportamento é frequentemente aprendido como mecanismo de defesa: “O people pleasing é uma resposta aprendida para lidar com o stress. O objetivo é apaziguar os outros e manter uma sensação de segurança”, explicou em publicação no Instagram. A especialista sublinha que não se trata de manipulação consciente, mas sim de uma tentativa de evitar conflitos ou rejeição, mesmo que isso implique sacrificar as próprias necessidades e limites.
A seguir, apresentamos os 8 sinais que indicam a presença do people pleasing, diferenciando-os da gentileza autêntica:
1. Perdoar sem que nada mude
Muitas pessoas têm o hábito de desculpar repetidamente comportamentos desrespeitosos, justificando ações alheias com expressões como: “Ela teve uma semana difícil” ou “Não fez por mal”. Contudo, perdoar sem exigir mudanças do outro cria uma dinâmica em que a tolerância se transforma em fuga, minando progressivamente a confiança e a dignidade pessoal. O perdão saudável deve incluir reparação e aprendizagem, evitando ciclos de frustração e ressentimento.
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Anuncie aqui: clique já!2. Dizer “sim” quando se quer dizer “não”
Aceitar convites, compromissos ou tarefas quando se está esgotado é outro sinal típico do people pleasing. O corpo envia sinais de cansaço, mas a mente, dominada pelo medo de desagradar, ignora-os. Esse comportamento cria um descompasso entre sentimentos e ações, gerando stress, culpa e sensação de impotência. Aprender a dizer “não” é essencial para proteger a própria energia e fortalecer relações baseadas em respeito e autenticidade.
3. Silenciar-se para evitar conflito
Reter emoções como raiva ou tristeza para manter a paz é comum entre quem tenta agradar constantemente. No curto prazo, evita-se confrontos, mas a longo prazo, as emoções reprimidas acumulam-se e podem explodir de forma inesperada. Expressar sentimentos de forma calma e assertiva ajuda a preservar a relação, mantendo o equilíbrio entre empatia e autenticidade.
4. Pedir desculpas sem ter culpa
Um reflexo comum do people pleasing é assumir a responsabilidade por conflitos mesmo sem ser culpado, numa tentativa de acalmar o outro. Este comportamento transmite a mensagem de que os erros alheios são mais importantes que o próprio bem-estar, criando relações desiguais e desrespeitosas. Saber tolerar tensão sem sacrificar-se restaura o respeito mútuo.
5. Apoiar todos, menos a si mesmo
Quem pratica people pleasing está sempre disponível para ouvir, aconselhar e apoiar, mas raramente pede ajuda ou se prioriza. Esta postura gera um falso sentimento de valor baseado na utilidade, enquanto o cuidado próprio é negligenciado. Reconhecer a necessidade de apoio fortalece a reciprocidade e permite oferecer uma versão mais estável e autêntica de si mesmo aos outros.
6. Ignorar o desrespeito
Quando se toleram comentários ofensivos ou limites ultrapassados, mesmo inconscientemente, transmite-se a mensagem de que tudo é permitido. Essa falta de firmeza constrói relações desequilibradas e mina a autoestima. Estabelecer limites claros não é rigidez, mas sim uma forma de dignidade emocional, protegendo tanto a si próprio quanto a relação.
7. Adiar as próprias necessidades
Postergar descanso, projetos ou cuidados pessoais para satisfazer os outros cria uma dívida emocional consigo mesmo. A longo prazo, este sacrifício constante corrói a autoestima e cria desconexão entre o indivíduo e seus próprios desejos. Priorizar-se não é egoísmo; é uma estratégia essencial para relações duradouras e saudáveis.
8. Sentir-se exausto pela própria “gentileza”
A verdadeira generosidade é energizante, enquanto o people pleasing é desgastante. Se ajudar se torna uma fonte de fadiga, ressentimento ou ansiedade, trata-se de um esforço defensivo e não de um gesto genuíno. Reconhecer este esgotamento é o primeiro passo para restaurar a alegria de ajudar, transformando atos de gentileza em escolhas conscientes e equilibradas.
A psicóloga clínica Debbie Sorensen, formada em Harvard, confirma que pessoas que praticam people pleasing tendem a ser extremamente atenciosas, mas encontram dificuldades em estabelecer limites ou não assumir cargas excessivas. Estudos indicam que esse comportamento pode levar a stress crónico, perda de identidade pessoal e deterioração das relações, tornando essencial a consciência e a prática de autocuidado.
Reconhecer estes sinais permite recuperar o equilíbrio emocional e transformar a gentileza em uma escolha consciente, baseada no desejo genuíno de ajudar, e não no medo de desagradar.





