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Saude: Cientistas voltam a bater-se contra a teoria de que o vírus teve origem laboratorial

Um grupo de duas dezenas de virologistas defende que existem mais provas de que o vírus teve origem na Natureza do que o contrário. E um dos signatários até já defendeu a teoria da fuga laboratorial

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Uma revisão crítica dos estudos científicos sobre a origem do SARS-CoV-2 concluiu que é muito mais provável o vírus ter surgido na Natureza do que ter escapado de um laboratório. Os cientistas apontam como justificação para tal, por exemplo, as semelhanças entre este coronavírus e outras doenças virais com origem zoonótica (em animais).

O estudo ainda não foi publicado numa revista científica, mas entre as suas duas dezenas de autores estão quatro virologistas que colaboraram num artigo que defendia a mesma tese, divulgado na Nature Medicine.

A equipa composta por investigadores norte-americanos, canadianos, australianos, britânicos e chineses traça um paralelismo entre as epidemias provocadas pelo SARS, entre 2002 e 2004, e a pandemia ainda em curso.

Em ambos os casos o vírus surgiu, inicialmente, num mercado com venda de animais vivos, no final do outono, na China. E, no caso do SARS, os cientistas conseguiram confirmar a sua origem em morcegos.

Não existem sinais de que o genoma do vírus tenha sido manipulado laboratorialmente

Por outro lado, não existem sinais de que o genoma do SARS-CoV-2 tenha sido manipulado laboratorialmente. Além disso, os coronavírus que têm vindo a ser descobertos em morcegos são compatíveis com a possibilidade de estes mamíferos terem servido de hospedeiros ao mais recente coronavírus.  

Esta análise vem contrariar o apelo publicado na revista Science, em maio, que instava os investigadores a levarem a sério a possibilidade de o vírus ter escapado devido a um acidente laboratorial. As suspeitas recaem sobre o Instituto de Virologia de Wuhan, que estuda os coronavírus dos morcegos, localizado próximo do mercado onde o SARS-CoV-2 começou por ser identificado.

Curiosamente, o virologista Michael Worobey, da Universidade do Arizona, nos EUA, era um dos subscritores deste apelo, mas mudou de ideias. Agora, é um dos autores da revisão crítica que defende a origem zoonótica do vírus.

O investigador atribuiu a sua alteração de posição à publicação de um estudo que confirma a venda de animais no mercado de Wuhan com capacidade para serem hospedeiros de coronavírus, como civetas ou guaxinins. Outro das suas justificações, de acordo com o The New York Times, é o facto de não terem sido detetados surtos junto do Instituto de Virologia de Wuhan.

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Os detratores desta teoria consideram os seus argumentos, e dos restantes signatários da nova investigação, altamente especulativos.  

No final do verão, os serviços de inteligência norte-americanos, incluindo a CIA, irão apresentar ao presidente Joe Biden os resultados da sua investigação sobre a origem do vírus. Segundo o The New York Times, ainda não existirá consenso sobre qual o cenário mais provável.

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