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Ruanda ameaça retirar tropas de Cabo Delgado se financiamento internacional não for garantido

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Kigali alerta que a continuidade da missão antiterrorista no norte de Moçambique depende de apoio financeiro sustentável para manter as operações.

O governo do Ruanda avisou que poderá retirar as suas tropas destacadas no norte de Moçambique caso não sejam garantidos recursos financeiros suficientes para manter a operação militar contra o terrorismo em Cabo Delgado. O alerta foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros ruandês, Olivier Nduhungirehe, que afirmou que a retirada não é apenas uma hipótese, mas uma consequência direta caso o financiamento internacional deixe de existir.

Segundo o chefe da diplomacia ruandesa, a presença militar do país em Moçambique depende de um financiamento sustentável que permita manter as operações de segurança e logística no terreno. Sem esse apoio, advertiu, Kigali não poderá continuar a sustentar a missão por tempo indeterminado.

A intervenção ruandesa em Cabo Delgado foi iniciada a pedido do governo moçambicano, num momento em que a província enfrentava uma escalada de ataques armados atribuídos a grupos insurgentes ligados ao extremismo islâmico. Desde então, as forças ruandesas têm desempenhado um papel central na recuperação de territórios anteriormente controlados por insurgentes e na estabilização de áreas estratégicas da região.

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Ao longo dos últimos anos, a presença dessas tropas contribuiu para reforçar a segurança em zonas sensíveis da província, permitindo o regresso gradual de populações deslocadas e a retoma de algumas atividades económicas. No entanto, o custo da operação tem sido elevado, envolvendo despesas significativas em logística, equipamento e mobilização de tropas.

Nduhungirehe sublinhou que o Ruanda assumiu compromissos consideráveis para apoiar Moçambique na luta contra o terrorismo, mas deixou claro que a continuidade dessa cooperação militar depende da existência de mecanismos de financiamento previsíveis e duradouros. Sem essas garantias, afirmou, o governo ruandês poderá ser forçado a reconsiderar a presença das suas forças no país.

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O aviso surge num momento delicado para a segurança em Cabo Delgado, província rica em recursos naturais e palco, desde 2017, de uma insurgência que já provocou milhares de mortos e um elevado número de deslocados. A possível retirada das tropas ruandesas levanta, por isso, novas preocupações sobre a estabilidade da região e sobre a capacidade das forças moçambicanas de manter os ganhos de segurança alcançados nos últimos anos.

Enquanto prosseguem os esforços diplomáticos e financeiros para garantir a continuidade da missão, a posição de Kigali deixa claro que o futuro da operação dependerá, em grande medida, da mobilização de apoio internacional capaz de sustentar a presença militar estrangeira na província.