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Produção de ouro abranda em Moçambique após suspensão em Manica, mas perspetivas continuam positivas

Interrupção da atividade mineira na principal província produtora levou à queda da produção em 2025, num contexto que reflete desafios comuns em vários países africanos.

A produção de ouro em Moçambique registou uma queda em 2025, após vários anos de crescimento contínuo, refletindo o impacto direto da suspensão das atividades mineiras na província de Manica, uma das principais zonas de exploração do país.

De acordo com dados do Governo sobre a execução orçamental, a produção atingiu apenas 82% da meta anual, recuando para níveis próximos dos registados em 2022, quando o país produziu cerca de 1,263 toneladas de ouro. Este desempenho contrasta com o recorde de 1,641 toneladas alcançado em 2024.

Segundo as autoridades, esta redução está diretamente ligada à paralisação das atividades de extração em Manica, uma região onde predominam operações de mineração artesanal e de pequena escala.

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A decisão de suspender todas as licenças mineiras na província foi tomada no final de setembro, no âmbito de um esforço governamental para reorganizar o setor e reforçar a fiscalização, ao mesmo tempo que se procuram soluções para minimizar os impactos ambientais associados à atividade.

As autoridades destacaram a necessidade de criar condições para uma exploração mais sustentável, após a identificação de práticas como a ausência de planos de recuperação ambiental e a gestão inadequada de resíduos.

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Situações semelhantes têm sido observadas em outros países africanos, como o Gana e a República Democrática do Congo, onde a mineração artesanal desempenha um papel importante na economia local, mas também levanta desafios em termos de regulação, segurança e proteção ambiental.

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Em Moçambique, a mineração artesanal continua a ser uma importante fonte de rendimento para milhares de famílias, especialmente em zonas rurais. No entanto, a natureza informal de muitas destas operações pode expor os trabalhadores a riscos elevados.

Acidentes recentes em áreas de exploração artesanal em Manica evidenciam os desafios ligados à segurança no setor, incluindo desabamentos de escavações e o uso de explosivos em condições precárias.

Este tipo de ocorrência não é exclusivo de Moçambique. Em países como o Burkina Faso ou a Tanzânia, episódios semelhantes têm levado governos a reforçar medidas de controlo e programas de formalização da atividade mineira artesanal.

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Apesar da desaceleração registada em 2025, o Governo mantém uma perspetiva otimista para os próximos anos. Para 2026, está prevista uma produção superior a 1,723 toneladas de ouro, o que poderá representar um novo recorde nacional.

As projeções baseiam-se no desempenho esperado das principais empresas do setor e em investimentos destinados a aumentar a capacidade produtiva, ao mesmo tempo que se reforça o enquadramento institucional da atividade mineira.

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A evolução do setor do ouro em Moçambique reflete, assim, um momento de transição: entre o crescimento económico impulsionado pelos recursos naturais e a necessidade de consolidar práticas mais sustentáveis e estruturadas, num contexto que acompanha dinâmicas observadas em várias economias africanas.