O Comité Central da FRELIMO reuniu-se este fim de semana em Matola para uma sessão ordinária marcada por três dias de trabalhos, menos do que os quatro inicialmente previstos. No encerramento, o partido definiu um conjunto de prioridades políticas e económicas consideradas centrais para o contexto actual do país.
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Anuncie aqui!Entre os principais pontos debatidos, destacou-se o apelo ao Governo para intensificar a produção nacional, num contexto de agravamento da crise económica e social global, influenciada pela instabilidade geopolítica, nomeadamente no Médio Oriente. O partido defende que o aumento da produção interna é essencial para reduzir a dependência das importações e avançar rumo à chamada “independência económica”.
A posição foi reforçada durante a leitura das moções de saudação, com intervenções internas a sublinharem o papel do cidadão na dinamização da economia. Segundo dirigentes do partido, o esforço colectivo na produção agrícola e industrial continua a ser visto como uma condição essencial para a estabilidade macroeconómica.
No plano da segurança, o Comité Central enalteceu a actuação das Forças de Defesa e Segurança (FDS), sobretudo no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. O partido destacou o papel das forças no terreno na preservação da soberania e na garantia da circulação de pessoas e bens, num cenário ainda marcado por desafios persistentes no norte do país.
A liderança partidária sublinhou igualmente que o fenómeno terrorista, descrito como complexo e transnacional, exige tanto cooperação internacional como o reforço da capacidade interna do Estado moçambicano em matéria de defesa.
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Anuncie aqui!Outro eixo central da reunião foi a necessidade de reforçar a coesão interna do partido e o seu vínculo com organizações sociais. Foram igualmente evocadas referências históricas da FRELIMO como base para a preservação dos valores de unidade nacional e educação cívica.
Paralelamente, foi reiterado o compromisso com o diálogo político nacional inclusivo, considerado essencial para a consolidação da paz e da estabilidade institucional. A direcção do partido defendeu que este processo deve envolver diferentes sectores da sociedade moçambicana.
O Comité Central dedicou ainda atenção à preparação da 11.ª Conferência Nacional de Quadros, agendada para Agosto na província de Manica, considerada um momento estratégico para a definição do futuro político da organização.
Na mesma ocasião, a liderança do partido reafirmou a sua posição sobre a soberania nacional em matéria de defesa, defendendo que a responsabilidade primária da segurança deve permanecer sob controlo do Estado moçambicano. Esta visão surge num contexto em que forças estrangeiras continuam presentes no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, ao lado das FDS.
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Anuncie aqui!No capítulo político-institucional, o presidente do partido e da República, Daniel Chapo, reafirmou o compromisso com os princípios democráticos, incluindo liberdade de expressão, associação e manifestação, sublinhando contudo que tais direitos devem ser exercidos no respeito pela Constituição.
O dirigente alertou ainda para os riscos da desinformação, considerando o fenómeno das notícias falsas como uma ameaça à coesão social e à estabilidade nacional, apelando ao combate ao que classificou como “cultura da falsidade”.
Ao encerrar a sessão, o Comité Central apelou à mobilização interna e ao reforço da unidade partidária, defendendo a construção de uma nação “una, indivisível e próspera”. O encontro terminou com uma mensagem de coesão e continuidade política num momento considerado decisivo para os próximos ciclos de governação.






