Na passada sexta-feira, Moçambique deu um passo decisivo no seu percurso de industrialização com a inauguração da Fábrica de Processamento de Grafite DH, no distrito de Nipepe, província de Niassa, pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo. Avaliado em aproximadamente 200 milhões de dólares, o empreendimento posiciona o país como um actor global na produção e valorização do grafite.
Trata-se da primeira unidade moçambicana de processamento de grafite, que, nas palavras do Presidente, está entre as maiores e melhores do mundo. O projeto reflete uma visão ampla de transformação dos recursos naturais em desenvolvimento económico, social, ambiental e humano.
Chapo destacou a confiança da empresa DH Graphite e da comunidade empresarial chinesa em Moçambique e o compromisso com o processamento local de minerais. Mesmo diante das cheias que afetaram o sul do país, o Presidente enfatizou que os esforços de desenvolvimento permanecem em curso. “Mesmo em tempos difíceis, Moçambique não desiste do seu futuro e o seu povo não deixa de trabalhar”, afirmou, anunciando também a reabertura da Estrada Nacional Número 1, na província de Maputo, anteriormente bloqueada pelas inundações.
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anuncie aqui!Segundo o estadista, a operação da fábrica constitui um ato de afirmação nacional e soberania económica, permitindo ao país ir além da exportação de matérias-primas, produzindo e exportando produtos de maior valor agregado. Localizada na aldeia de Muichi, a unidade cobre todo o ciclo de produção do grafite, desde a prospecção e extração até ao processamento e comercialização, com a proximidade aos depósitos minerais a reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade nos mercados internos e internacionais.
O investimento de 200 milhões de dólares inclui ainda infraestruturas essenciais, como uma ponte sobre o rio Lúrio, uma estrada de 110 km ligando Nipepe à província de Nampula, e uma linha elétrica de 100 km, melhorando a logística, o fornecimento de energia e a integração regional. O projeto gera atualmente cerca de 1.000 empregos permanentes e mais de 200 temporários, com um programa de reassentamento que forneceu 125 casas, uma escola, um hospital, uma esquadra de polícia e uma área residencial moderna, garantindo que o crescimento industrial beneficie a comunidade local.
Na mesma linha de análise económica, o setor bancário moçambicano também se reconfigura. O Banco BPI anunciou a intenção de vender a sua participação no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), consequência dos prejuízos acumulados em 2025, atribuídos ao agravamento da dívida pública do país. A informação foi revelada pelo presidente do banco, João Pedro Oliveira e Costa, durante a apresentação dos resultados anuais em Lisboa.
Em 2025, o BPI registou lucros consolidados de 512 milhões de euros, representando uma queda de 13% em relação ao ano anterior, devido principalmente ao desempenho negativo do BCI, que contribuiu com 20 milhões de euros negativos, em contraste com os 38 milhões positivos de 2024. Apesar da intenção de alienar o BCI, Oliveira e Costa assegurou que qualquer decisão será comunicada previamente à Caixa Geral de Depósitos (CGD), principal acionista do banco moçambicano.
Durante a conferência, o executivo também manifestou-se profundamente comovido com a morte do administrador financeiro do BCI, Pedro Ferraz dos Reis, ocorrido a 19 de Janeiro em Maputo, descrevendo-o como uma pessoa de qualidades pessoais e intelectuais extraordinárias e agradecendo o apoio do Governo e do Presidente à família e à instituição.
Com a inauguração da fábrica de grafite e a reconfiguração das participações bancárias, Moçambique demonstra simultaneamente ambição industrial e rigor na gestão de riscos financeiros, reforçando a ideia de que desenvolvimento económico e responsabilidade institucional caminham lado a lado.





